03/03/2010

A lágrima que eu já não sei chorar...



Se eu pudesse deixar um segundo
Fazer uma pausa e esconder-me…
Atrás desse meu fato
De corvo sem existência!

Ensina a amar que eu não sei mais
Ensina-me a ser eu
Que eu já não me lembro como era…
Ensina-me a viver;
Que eu perdi o rumo
E já não tenho máscaras onde me esconder…
Ensina-me a gritar
Que o mundo já não me ouve…
E hoje eu sou surdo!
Ensina-me a deixar escorrer no rosto
A lágrima que eu também já não sei chorar…
E ensina-me a sorrir
O doce gosto de abrir uma boca sem dentes;
E brilhar…
Ensina-me a ser feliz
Que eu já não sei fingir a felicidade.
Ensina-me onde fica a realidade
Que eu perdi-a na mesma rua
Onde me perdi a mim mesmo.
Eu já não sei nada,
E nada sei sobre nada!

“Eu só sei que nada sei”
Porque nunca soube saber
Aquilo que devia ter sabido
Para saber aquilo que agora sei!
E ao fim de já nem sei o que escrevi;
Porque afinal eu não sei escrever;
E porque isto não passa de um mero ensinamento;
A precisar de um professor que nem sequer ensina!

I Love you! (um hino aos que amam; porque eu não sei!)

02/03/2010

Carta de Blackbird


A carta… (Blackbird a Tiago)


Idiota!
Achas mesmo que alguém te amará um dia?
Deixa-te de ilusões!
Ficarás sempre só!
A vida inteira,
Dia sobre dia;
Noite sobre noite…
A chuva cairá lentamente
Sobre o teu velho e triste coração.
Como pode um coração vazio
Pesar o mesmo que um mundo?

Será sempre assim,
De cabeça triste e olhar carregado
De mágoa por dentro da camisola
Virás do trabalho para casa;
Da solidão para a solidão;
Da tristeza para mim…
Mas basta!
Estou farto de ser eu a sofrer por ti!
Homem idiota!
(Se é, agora entre nós,
Que te podemos chamar Homem.
Eterna criança tu!
Preso no tempo;
À espera que se mude o futuro…)

Deixa-te de viver no passado
À espera que o futuro mude!
Para poderes ser feliz neste presente
Morreu… acabou!
Nada podes fazer agora…

Vives nesse teu mundo,
Essa essência onde me criaste…
E escreves,
Sobre tudo o que aconteceu na tua vida;
Ou o nada que ela é...

E amor?
Escreves sobre algo que não sabes o que é?
(Esta tenho de aplaudir de pé!
És um génio!
Aquele que sempre te consideraste ser…
Ou louco apenas!
Aquilo que outros viram crescer…)

Deixa-te ilusões,
De imaginar beijos que nunca aconteceram
“Alma com alma” leste num livro.
*(Risos)
Tolo! Idiota!
Isso não passa de imaginação!
De eterna e triste ilusão!
Como essa que tens,
De alguém te amar…
Ninguém te ama e jamais o farão!
Ninguém quer ser visto com um cromo como tu!
(“Cromo” – Lembraste de como te chamam
Aqueles que se riam das tuas piadas?
Eles só se riram de uma única piada tua…
A tua vida! A tua miserável existência!)

Desiste… o amor não existe
Eu sou pura ilusão,
Loucura no teu coração…

Aqui te deixo as minhas palavras…
Para que deixes de fingir.
E perceberes o miserável
Que verdadeiramente és!

Com amor:
Blackbird (o teu único amor…)

Amar-te-ei como desde sempre!

Amar-te-ei como desde sempre…
Amar-te-ei desde o primeiro instante em que te vir.
Desde o primeiro olhar,
A primeira palavra,
O primeiro adeus…

Amar-te-ei em cada encontro,
Como se de mais um desencontro se tratasse.
Irei amar-te em cada chegada,
Como se fosse a última das partidas…

Irei amar-te como sempre amei
(Como sempre o fiz a vida inteira!)
Irei amar cada gesto teu
Como se desde sempre o conhecesse.

Irei amar-te no primeiro olhar,
No primeiro segundo parado do tempo
(Desde sempre o tempo esteve parado,
Parado em mim à tu espera.
À espera que regressasses!)

Irei como sempre te amei
Como sempre imaginei amar-te
Irei sentir a tua cabeça no meu peito…
E no silêncio da escuridão;
Ouvirei o meu coração;
Irei ouvi-lo bater por ti;
Viver por ti!

Amar-te-ei no mundo real!
No meu e em outros mundos!
Serei Pedro e tu, Cinderela…
Serei o Monstro e tu, a Bela…
Serei Romeu e tu, Julieta…

Porque hoje:
“Tu és Pandora e eu, aquele que te procura!”…

01/03/2010

“The man who sold the world”

video

Conheci um homem que vendeu o mundo…
Já não o queria para nada.
“Já não tem valor!” – dizia.
Vendi-o a um idiota qualquer.
Um daqueles que ainda tem esperanças...”

Ele costumava dizer-me
Que o mundo já nada nos pode dar...

Era um homem solitário esse…
Um dos poucos verdadeiros que existiu.
Eu tive a sorte de ainda o conhecer!
Já o conheci velho.
Ele contava-me histórias;
Histórias de quando era criança.
“Sabes, um dia também eu fui criança!
Tinha as minhas ilusões e os meus sonhos;
As minhas aventuras nos mares da ilusão…
Mas dia por dia brincava cada vez mais sozinho,
Cada vez mais me percebiam menos.
Chegaram a chamar-me louco!”
(E fazia aquele ar esbugalhado de indignação…)

“Loucos eram eles! Dizia-lhes eu…
Loucos por acreditarem no amor,
Por acreditarem no mundo!
Por acharem que ele ainda tinha solução.
O mundo nunca teve solução!”
Dito isto, fazia sempre uma pausa
E pensava… pensava na sua infância.
Na velhice, na importância mínima do tempo…
“Sabes, eu como nunca acreditei no mundo;
Desisti e criei o meu próprio…
Revesti-me de máscaras
E comecei a viver nos dois mundos!
Era assim ao início…
Mas depois comecei a sofrer.
Refugiei-me mais no meu mundo
E deixei o real de parte.
Sabes… O mundo real só nos trás sofrimento!”

Dele guardo a sabedoria;
A sabedoria de alguém muito velho…
Mais velho que mundo, diria eu!
Morreu velho e só…
Morreu sem nunca ninguém saber.
Conheci-o já muito velho;
E no entanto tão jovem…
Deixou-se morrer nele próprio;
Simplesmente desistiu de viver….
Não suportava a ideia de viver num mundo cheio de nada.
Mas no entanto afogou-se no seu próprio mundo!
Por ter espaço a mais…
Eu mesmo lhe cavei a sepultura;
Enterrei-o com as minhas próprias mãos.
Deixei-lhe uma única flor na campa…

Comecei eu a viver por ele,
Mantive secretamente o seu corpo vivo.
E nunca o mundo se apercebeu…

O meu nome é Blackbird…
O velho chamava-se Tiago;
E já tinha vivido demasiado…

Amanhã meu amor…


Amanhã serei a sombra.
A infeliz e imóvel sombra;
Estampada na parede.

Serei a desgraça imponente no teu olhar.
A lágrima seca caída;
Caindo no teu rosto triste.

Amanhã serei a esquecida recordação.
A nua memória perdida voando
Nas ainda brancas folhas
Do velho caderno por estriar.

Amanhã amor.
Serei o teu sorriso triste,
A recordação inapagável na tua mente.
O sentimento triste do teu coração.

Amor em ti amanhã,
Serei o silêncio surdo!
A humidade negra entranhada
Na velha parede branca do quarto.

Amanhã serei um poema por escrever;
A tua velha história de amor;
De que ninguém mais falará.

Amanhã meu amor…
Já depois de me empalarem no caixão
E de a terra me cobrir por completo;
Serei mais uma estrela
Preenchendo um espaço vazio lá no céu.
E depois num silêncio gritado;
Lerás o triste poema que hoje te deixo…

Amanhã meu amor...
Sozinha junto ao monte de terra frio
Deixarás uma flor;
A pequena e já velha rosa branca
Que trouxeste envolvida no cabelo.
Dirás pela última vez: “Eu amo-te…”;
Então chorando e sorrindo partirás
E não mais voltarás a esse lugar
Onde deixaste apagado o teu amor.

“O teu amor apagado…”
Serei em ti amanhã.
Mas isso será amanhã!
Porque hoje amor…
Hoje nem eu sei quem sou…

Eterna procura...


Serás eterna procura…
Perpetua triste ilusão
Para o veneno cura;
Como amor é para a solidão!

Serás sempre assim…
Memória vaga desfocada.
O doce silêncio do fim;
“A eterna balada!”

Minha sempre em sonho imaginado!
Em mil rostos disfarçada;
Eu, teu príncipe amado.
Nesta nossa história inventada!

Serás sempre a amada minha.
Poeta de mil ilusões,
O rosto dos sonhos que eu tinha;
Na alegre infância de assombrações…

Procurar por ti meu amor
A minha demanda infinita sempre será
Correr, correr sem te encontrar;
Por mil mundos que não o meu…

Agoniante será então a dor…
Porque no espelho se verá
O ansiado amor do meu sonhar;
Sendo sempre apenas eu!