06/12/2009

Despedida de Julieta a Romeu



Que este frio punhal
Cravado sobre meu peito
Eternamente me corrompa
Este estranho corpo que aqui deixo
E que me esventrei a entranhas.
Mas que jamais no tempo e no espaço
Este punhal com que desfaço meu coração
Me apodreça a alma eterna minha.
Porque em outras vidas na distância das eras
Que me lembre eu da tua face
Dos teus gestos e das tuas carícias.
Que o destino todo-poderoso
Nos separe vezes sem conta;
E que nós,
Num acaso desse mesmo destino
Unamos nossas mãos e nossos lábios.
E outrora perdidos nos encontremos
No fôlego de mil beijos de amor proibidos…

Novamente juntos voltaremos então;
À cama de lençóis brancos
Ainda quente de nossos desejos.
E cumpridos os dois seremos um
Pois na memória do mundo
Que sabendo sem saber
Nos proibiu e eternizou na palavra amor,
Seremos relembrados;
Culpados e julgados;
De um dia por acaso do destino
Termos inventado no amor;
A palavra Eternidade…

Não mais metades meu Romeu...
Hoje somos meu amor;
Um todo!

Despedida de Romeu a Julieta



Julieta, Julieta, Julieta!
Gritarei eu ao céu
Infinitas vezes o teu nome;
Para que o mundo,
Cego, Surdo e Mudo
Saiba que alguma vez:
Eu Romeu te amei…
E serás sempre e sempre eterna…
A outra metade de mim…

“- Uma maldição sobre ambas as casas!”
Será então amar maldição?
Se é;
Então maldito seja eu
Pois eu amo…
Amo eternamente!
Caia então sobre mim a morte
Me julgue e me condene neste meu fim.
Como te julgou a ti;
Julieta;
A outra metade de mim!…

Sem ti incompleto eu sou.
Apenas um louco fugindo nas sombras;
Como esses a quem chamam poetas!
Pois para mim és sol
Que me ilumina à noite
És estrela que me leva…
Nos sonhos perdidos que eu te dei…

Um último olhar sobre ti.
Continuarás sempre bela…
Pois jamais a morte consumirá a tua beleza.
Parece que a inveja…
E a quer só para si!
Um último beijo nos teus lábios…
Que eterno seja este momento,
Gravado na minha alma…
Adeus Julieta,
A outra metade de mim!
Não serei mais incompleto,
Irei para ti!
O veneno consome-me a razão…
O delírio Julieta!

Parto agora meu amor.
Mas sei que o tempo passará…
E quando se falar em amor;
Será de nós que falarão…
Será de nós!

Pois o amor é assim…
A metade da outra metade!...

E vejo o azul de teus olhos…

05/12/2009

"A Ode Negra"


“Tolo!”
Serás sempre um “tolo”!
Acreditas mesmo que a vida te sorri?
A vida agora sorri-te,
Mas tu não estás feliz…
A vida sorri-te
Mas o sorriso que te mostra é amarelo,
(Há quem o diga vigarista!)
E tem algo de maníaco no olhar…

A vida sorri-te “meu tolo”
Mas nas costas engana-te!
Sofres que nem um doido
Tens essa mania de dar um bocado de ti
A quem amas?
Mas onde estão os que amas?
Onde estão eles por ti?!

“TOLO!!!”
“IDIOTA!”

Vives debaixo do mesmo tecto
E ninguém dá conta que sofres…
Onde está o teu pai?
Não está???
Pobre menino…
“Coitado!”
És um bom fingidor,
Não finges a dor;
Mas finges que não a tens…
Onde estão eles por ti?!
Não estão!
Estás só a chorar… como um tolo fraco…
Choras só pelos recantos do teu quarto
Sem ninguém por ti!
Amor não existe!
Felicidade é ilusão!
Arranco o teu coração
Pois ele é despiste!

“Só me tens a mim… o teu único amigo
Que vive dentro de ti…”

Com muito Amor;
O único que te ama realmente...
Blackbird…

08/11/2009



Há pessoas que apesar de rodeadas pelo mundo inteiro...


...Estarão sempre sós!

22/10/2009

“Promessa de eterno amor…”


“Esperar-te-ei para sempre”
Foi esta a promessa que fiz
Naquele dia cinzento e infeliz
Em que as gotas de chuva eram as minhas lágrimas.
Irei sempre olhar o horizonte longínquo
Procurando apenas por ti.
Procurando a tua face,
A tua despedida que não veio;
No dia em que não vieste nos sussurros do vento…

“Esperar-te-ei para sempre” de rosa na mão,
(Branca como a esperança que me eras!)
Sentado no banco de jardim
Onde me olhaste pela primeira vez
Descobrindo a triste criança que há em mim.
A criança que a vida inteira
Esperou apenas pelo simples sorrir de alguém…
E foi o que tu fizeste!
Sorriste para mim…
Um simples e doce sorrir,
Ingénuo e sem a maldade do mundo.
Jamais esquecerei esse teu sorriso,
O meu momento de alegria…

Desde e dia vieste sempre,
Trazendo o teu vestido azul;
O teu olhar e o teu sorriso;
A tua bondade e simplicidade…
Trazendo-te a ti!
E contigo sempre a felicidade;
A única que provei em toda a minha vida…
Então chegava a hora da despedida;
“Eu voltarei amanhã!” dizias-me…
E contemplavas-me com um beijo;
Viravas costas e deixavas o teu cabelo dançar no vento…
“Esperar-te-ei para sempre…”

Mas não voltaste…
Nem nesse dia;
Nem nos muitos que se seguiram…
Nunca mais veio o teu vestido azul;
Nunca mais veio o teu olhar e o teu sorriso;
A tua bondade e simplicidade;
Nunca mais vieste tu!
Nem tu;
Nem mais a felicidade…

Então pouco a pouco
O meu mundo foi caindo;
O meu sorriso foi desvanecendo,
Tu; foste ficando apenas memória…
(Que hoje já nem sei real!)
E então veio o vazio…
A chuva caindo do meu olhar;
As cartas soltas no vento;
Como num gesto de despedida que nunca veio…

A solidão apertará cada vez mais…
Os dias passarão por mim,
Assim como os desígnios e as épocas do mundo.
E sobre meus ombros caíram os anos de espera
Ficarei velho e já sem tempo;
A demência e o esquecimento possuirão a minha mente
E então morrerei na saudade do banco de jardim.
Mas esperar-te-ei sempre!
Porque sei que um dia voltarás por mim;
Talvez tarde;
Mas voltarás
Por mim voltarás.
Pois a esperança;
Essa não morre nunca!

Então voltarei finalmente ao banco de jardim;
Não de corpo,
Mas de vontade!
E trarei nas minhas mãos a rosa branca
Olharei o horizonte
E irei encontrar-te;
E esperarei a tua vinda.
“Esperar-te-ei para sempre…”
Sentado de esperança na mão!
Pois uma promessa de eterno amor…
…Jamais se quebra!
“Esperar-te-ei para sempre…”

24/09/2009

O homem que morreu no dia em que lhe morreu o amor…


Aqui jaz o meu mundo perante a ruína.
À beira do abismo que se interpõe
Entre a pedra morta de teu nome
E a insignificante vida de uma flor…

Aqui deixo a lágrima de um cobarde.
Mas não a minha, mas não a minha!
Corre-me pela face e não é minha;
Porque eu sou forte e não cobarde!

Aqui está o meu mundo despedaçado
Encerrado em madeira podre
Atulhado na terra que me há-de comer,
Escoando as aflições.

Aqui jaz perdida a minha sombra.
Aquilo que nunca fui!
Pois morreu-me a esperança;
Daquilo que eu podia ser.

Aqui te deixo neste dia sem sorrir
Prometendo-te o meu luto constante,
Daquele singelo instante
Em que não te impedi de ir

Aqui te deixo as minhas palavras
(Aquilo que ainda posso!)
Vãs impelidas ao sufocante ar.
Do um homem que te amou como ninguém o fez…

A amargura! A dor!
Em nada descrevem
As palavras que aqui se escrevem
Eterno o nosso… “meu amor”!

Aqui jaz o meu corpo
Em vão orando preces,
De quem em já nada acredita
Senão hoje o dia da morte.

De braços estendidos ao vento
De lágrimas de um cobarde no olhar
Grito ao mundo que não me ouve:
“- Ó morte; trespassa-me também a mim!”

Logo ouço os murmúrios do fim
E o meu mundo fende-se a meus pés.
E agora triste sorrio;
Pois finalmente a morte está em mim…

Eis chegada a minha hora,
De vós me despeço meus irmãos
Pois hoje meu amor morreu,
Foi a morte que a levou
Para um mundo só dela:
“- Que hoje seja também o meu!”

05/07/2009

Lost Control


A vida traiu-me mais uma vez.

Aceito que há coisas que nunca mudarão…

Perdi-me nos meus sonhos sem tempo
Dignifiquei a minha agonia
E fiquei sem sentido para viver
Sobrou-me apenas o vazio
Que jamais conseguirei ver…
Porta atrás de porta penetrando em mim
E assim fiquei perdido em mundos sobre mundos…

Eu perdi o controlo!
Porta atrás de porta
Constantemente tentando abrir a porta certa
Tentando em vão achar as repostas
Para perguntas que nunca se fizeram…

Aceito que há coisas que nunca mudarão…

A busca por mim é vaga e já sem sentido
Chamo por mim e ninguém responde…
Chamo por mim e apenas a morte me escuta
Abre-se a porta e logo surgem milhares de caminhos
Por onde seguir, a pergunta entrepõem-se…

Estou perdido e a loucura envolve-me
As sombras chamam por mim e eu sei que é hora de ir…
Perdi o controlo!

04/07/2009

Poema de um ninguém com Paralisia Cerebral


Encerrado num corpo velho e já sem vida
Contam-se a horas minuciosamente
Vê-se a vida escoar por entre os dedos
Que não conseguem mexer.
As lágrimas que não caiem
E a dor;
Essa que é pura
Como a fé que já se perde…

A esperança torna-se vaga;
E vai sendo consumida pela batalha dos anos vazios
A vida passa como se fosse eternidade…
Ano sobre ano e tudo é estanque!

A raça humana tem dois extremos:
Nascer perfeito,
Ou nem sequer imaginar nascer!
Olhando de um casulo a que apelidamos de: corpo
Vemos quem nos ama,
Ser gasto pelo tempo incorruptível
E enquanto cuida de nós
Rasga no rosto um sorriso vago,
Enquanto nos olhos se cai a esperança.
A vaga esperança depositada
No gesto que demora em chegar…

Olhos nos olhos e lê-se o desespero sair!
Olhos nos olhos e lê-se o medo penetrar!
O sorriso perdura estampado,
Como um candeeiro que nunca apaga
Num universo longínquo e escuro...
O obrigado não sai e as palavras ressoam na cabeça:
“Os médicos dizem que um dia irás falar…”
Anseia-se a chegada dos dias seguintes;
Pois a memórias começa a falhar,
E esqueces que as batalhas são diárias;

Tic-tac, tic-tac…
E relógio passa os segundos com sabor a anos.
Tic-tac, tic-tac…
Cai a esperança com a mente.
Tic-tac, tic-tac…
E no dia de falar diz-se: Obrigado!
Tic-tac, tic-tac…
E o dia de morrer
Passa mais breve que a vida;
De quem vendo o relógio andar, sofreu parado…
Tic-tac, tic-tac, tic-tac…tic-tac!
"Eles riem-se de mim por ser diferente,
eu rio-me deles porque são todos iguais"

Por: Kurt Cobain

01/07/2009

The lonely man (O homem Solitário)


Andando numa estrada de nada
Caminhando ao lado de ninguém
Vai o homem solitário…

Vagarosos são os seus passos
Arrastando solidão
Mergulhando na escuridão
Desfaz-se o ser incompleto.
Nada teme nada há para temer…
Nada perde nada há para perder…

Dizem que na sua existência;
O Homem apenas procura uma coisa:
Dar amor e ser amado!
Mas como se dá amor,
Se ninguém o receberá?
Como recebe amor,
Alguém que não se sabe existir?

É o homem solitário que ali passa
E ninguém o vê!
É o homem que passa no vazio
Sem ninguém o saber!

Cada passo cuidadosamente estudado.
Cada que a alma interpõem
Com a incerteza de se viver;
Com medo do vazio,
Pois um passo em falso
E acaba-se o que não se começou:
A vida!

Caminhando lado a lado de quem ama
Passos entre passos e passa despercebido…
Nunca ninguém o viu,
Nunca ninguém o vê,
E ninguém o verá!
Manchado de tinta invisível,
Como é possível alguém o ver?
Passa nas sombras lá longe de o não ser
E a fim de contas tão perto de o ser!

Passo a passo vê quem ama,
E deseja ser.
Mas é o homem solitário
Que passa na estrada da solidão,
Caminhando na réstia de esperança;
Que não lhe consumiram do coração…

Núcleos gémeos...


Onde estás?
Sei que está por aqui algures!
Sei que está na escuridão algures a chorar
Sinto-te em mim,
E tu sentes-me!
Sabes que procuro por ti,
Sabes que te irei procurar e foges,
Foges pois sabes que tenho de te eliminar…
És fraco! FRACO!!!

Não passas de um cobarde!
Um cobarde que foge da realidade;
Foi assim que me criaste,
No teu mundo de sofrer
No medo que tens de viver a realidade…
Estás encolhido a um canto,
Debruçado sobre as tuas memórias,
Sobre os teus medos
Tentas encontrar as repostas em vão
Pois nem sabes quais são as questões!

Passas perdido,
Despercebido entre aqueles que dizes amarem-te
Mas ninguém te ama!
Todos te odeiam!
Todos!
Até mesmo os que partiram
Até os que choraste te odiavam!
Todos eles!
Estás só e perdido!
Um tolo pensando em vitória;
Os Vitoriosos;
São Aqueles que aprenderam a batalhar!
Mas tu;
Cheio de medo foges que nem cobarde!
Foge, foge que a dor arde!

Foge como fugiste a vida inteira!
Foge para longe deste teu corpo…
Foge que agora não serás mais tu;
Agora serei eu tu!

Escondido sobre as sombras de um espelho
Choras por nada seres,
Por estares divido em ti;
Dividido em mil e um seres…
Dividido em mil e um mundos…
Nada do que foste serás agora
Nenhum dos sorrisos de outrora virá hoje
E possivelmente amanhã também não…
Foi o destino que marcou assim;
Noventa por cento negro
Dez por cento de irrealidade.

O mestre dos mil e um mundos sem luz.
É o fardo que carregas sobre o peso do teu corpo
Trespassado mil e uma vezes
Por palavras que tu próprio manipulaste;
E que por mil mundos espalhaste …
Abres a porta,
E escolhes em que mundo entrar,
E depois perdeste mais mil vezes,
Para regressares uma última vez
E te encontrares a ti próprio deitado na cama
Já sem vontade de viver…

Mil e um mundos sem luz
Inventados para não sofrer
Mil e um mundos sem luz
Inventados para fugir da realidade.

Mestre de mil e um mundos sem luz
E para quê?
Apenas:
Para ser aprendiz no mundo da realidade…

Um barco no cais...


Tornaste-te tão distante… Mas quando foi que isso aconteceu? Tento pensar e não consigo, os pensamentos e as memórias juntam-se num emaranhado de sentimentos, sentimentos esses que me pesam no coração como mil toneladas de aço.
Quando deixamos de nos olhar? Quando deixámos a distância entrepor-se entre nós? Quando deixamos de dirigir-nos um ao outro com amor e passamo-nos a tratar um ou outro com amargura? Quando? Quando aconteceu tudo isso que eu nunca quis? Quando começamos a ser estranhos um ao outro?
Ainda me lembro daquele dia de nevoeiro em que te conheci. Foi ao pé do porto marítimo de Lisboa, em Belém, ao pé daquela antiga estátua que homenageia os heróis dos descobrimentos portugueses… aquele lugar de onde partiram os sonhos e regressaram promessas…
Era de manhã e sol espreitava tímido, aproximei-me do cais e sentei-me na encosta de pedra… Olhaste para mim mas fui-te indiferente… Olhavas para lá do horizonte procurando algo, senti-me tão estranho, ainda hoje me sinto olhando esse horizonte todo! Tão imenso e inalcançável! (Só hoje sei que horizonte; é sinónimo para felicidade…)
Olhei-te de soslaio, e tive o mais belo ou mais ridículo impulso que jamais tive. Abri a mala e de um caderno rasguei uma folha de papel; fiz um barco, tão pequeno o barco e tão grande o rio que desaba no mar! Deixei o barco no mar e vento levou-o na tua direcção, reparaste no barco e delicadamente tiraste-o da água… Olhaste para o barco espantadamente e começaste a virar a cabeça de um lado para o outro, para ver de onde vinha o barco; provavelmente esperavas que o barco pertencente a um pequeno menino qualquer a chorar, que havia deixado escapar o barco sem querer enquanto passeava com a mãe de mão dada. Foi então que reparaste em mim de caderno no colo ainda com a marca da folha rasgada…
Sorriste… Sorriste e então o meu barco sem porto, descobriu por fim o farol, e consequentemente; o caminho para terra… Olhaste mais uma vez para o barco de papel e reparaste que tinha um nome; talvez das coisas idiotas que jamais escrevi… O barco tinha este nome: “Queres ir beber um café? Eu pago!”… Sorriste então mais uma vez… Um sorriso puro e desperto de alegria; um sorriso que me fez “querer-te” ainda mais!
Aceitaste então o meu pedido… Bebemos o café e conversamos então… A meio da conversa a minha curiosidade falou mais alto e perguntei-te o: Porquê? Porquê aquele olhar distante? O: Porquê de olhares para o horizonte?
Respondeste-me imediatamente tão calma e serenamente que olhavas o mar… “O mar roubou-me quem mais amava… O meu pai e a minha mãe partiram com o mar, o mar encantou-os e levou-os de mim para sempre… Então desde há um ano para cá, tenho sempre vindo para Belém, de onde eles partiram numa viagem de barco, procurando as repostas do porquê o destino mos ter tirado eternamente? Porquê a mim?”
Quando o acabaste de o dizer peguei na mão e disse que eu também perdi o meu pai quando menos esperava e que a surpresa da sua morte ainda hoje me fazia adormecer mais tardiamente… depois de muitos “Porquês?” também eu hoje compreendo a razão! “É assim a vida!”
Olhei então nos teus belos olhos azuis e disse-te também calma e serenamente... “A vida é como o mar, assim como as ondas do mar que embalam a praia, consomem as pedras mas deixam sempre conchas; a vida por vezes também é como as ondas do mar; tira-nos quem amamos, mas deixa-nos sempre algo para não deixar a esperança morrer…”
Olhei mais uma vez nos teus olhos de profundo azul e vi uma lágrima ser solta por entre eles e correr-te a face; limpei-a suavemente com o dedo e senti a tua respiração mais perto… Selaram-se os nossos lábios e despertaram-se os sentidos…Ouvimos o mar ao longe, ouvimos as estrelas cochichar no céu…E de mão no peito sentimos então o coração um do outro… Como as ondas mar! Tão intensos e pulsantes… Dois corações e um destino…
Dois corações e um destino unidos!
Por um barco no cais…

Fogo-de-artifício


Por minutos foi nosso o mundo,
Foram as nossas emoções que brilharam
E explodiram no céu e nos nossos corações
Foram nossas as emoções do mundo;
Corações palpitantes na explosão dos minutos.
Brilhavam os nossos olhos
Entrelaçavam-se os lábios e realizou-se o mundo
Só nosso que foi o mundo
Nos minutos em que explodiram as nossas emoções
E se entrelaçaram os nossos lábios…

Explodiu mais forte a emoção,
E apercebi-me a divagar.
Mais uma vez o meu mundo
Explodiu também para a realidade
E a imaginação falou mais alto!
Solidão foi o que vi na luz!
As luzes estavam carregadas de sonhos!
Mas a luzes que voavam bem alto lá no céu
Desciam e apagavam afogando-se no mar
E a realidade desperta-me e faz-me pensar:
“Há mundos que foram feitos,
Para permanecer eternamente sem luz;
Há muitos que foram idealizados para conter gelo;
E para jamais sentirem o sol;
Há mundos que foram feitos na escuridão,
Pela escuridão;
E oferecidos ao vazio!”…

Em mim possuo infinitos mundos;
Incontáveis, talvez…
Mas todos eles sonham
E brilham por segundos;
Mas assim como o fogo-de-artifício;
Vão descendo e perdendo o brilho;
Até se afogarem no mar…
No mar vão mergulhando ainda mais;
Descendo no vazio sem fundo;
Porque:
“Há mundos que foram feitos…
Para permanecer eternamente sem luz!”…

Nos meus sonhos...


Nos meus sonhos…


…vens entrando por uma porta mágica.
Vens com um vestido doce azul mar…
Estás maquilhada de forma simples,
Os teus estavam lábios levemente pintados de batom rosa
Tens o cabelo enfeitado de correntes com pérolas de imensidão
O teu suave cabelo escuro
Escuro como a cor dos meus olhos que te decoram
Adornaste o teu cabelo
E trespassaste com o teu olhar o meu coração
Os teus olhos que adornaste de sombras.
Estás tão bela como te imaginei…
…nos meus sonhos…

…vens entrando por uma porta mágica.
É a porta que dá para o mundo real.
Chegas tímida e trazes luz;
Sabia que vinhas!
Tenho cada passo estudado nos meus sonhos
Revivi este momento vezes sem conta,
Milhares de tentativas para que tudo fosse perfeito,
Estendo-te a mão e agarras a perfumada rosa que te dou,
Prende-la firmemente com os dentes
E estendo-te a minha mão e pegas nela com suavidade
Com a suavidade a que me habituei…
…nos meus sonhos…

…vens entrando por uma porta mágica.
Queres dançar e eu sei disso
Quantas vezes nos sonhei dançando,
Dançando o nosso próprio conto de fadas;
Dançando até ao soar das doze badalas...
No meu mundo tudo se transforma
Tudo se vai transformando ao ritmo dos nossos passos
Tudo se transfigura e viajamos pelo mundo
Milhões os locais por onde dançámos
E deixámos um pouco dessa nossa magia
A magia que dançando libertamos…
…nos meus sonhos…

…vens entrando por uma porta mágica.
É a porta que sempre te deixei aberta,
Mas que só hoje decidiste atravessar.
Tenho estado sempre à espera do mágico segundo
Em que os meus olhos encontrariam a tua graciosidade
Enquanto entravas lentamente pela porta deste meu mundo…
O meu mundo fez-se pensando naquilo que mais te agradaria.
Estou à tua espera, vestido de homem,
Com um belo smoking negro como o meu cabelo,
Levanto-me e faço-te uma vénia:
“Bem-vinda minha rainha imaginada!”…
…nos meus sonhos…

…vens entrando por uma porta mágica.
Porque tudo é mágico aqui!
Dançamos ao som de uma música que vem de nós
À medida que nos mexemos criamos vento e música
Uma bela música que nos adorna as feições sorridentes…
Dançamos e criamos vida,
Criamos mil e um lugares inimagináveis;
Bosques, cidades, mares e tudo o que parece inconcebível.
Criamo-nos a nós próprios vezes incontáveis;
E sempre dançado confessamo-nos um aos outro.
Vamos a viver um sonho…
…nos meus sonhos…

…vens entrando por uma porta mágica.
É a porta que fiz para que pudesses entrar
E conhecer este meu mundo;
Que fiz sonhando em ti!
E sonhando fiz e desfiz o meu mundo para que tudo estivesse perfeito;
No dia em que…vens entrando por uma porta mágica.
Estás tão bela como te imaginei…
Com a suavidade a que me habituei…
A magia que dançando libertamos…
“Bem-vinda minha rainha imaginada!”…
Vamos a viver um sonho…
…nos meus sonhos…

Vens entrando por uma porta mágica…
...e selei o momento com um beijo!
Fechando a porta a sete chaves…
…nos meus sonhos…

Escuridão?


Uma casa…
Mundo a fingir
Onde nada magoa,
Porque nada existe…
A escuridão, o que é?
É um lugar onde aprendi a ser eu
Onde aprendi a ver-me;
Vezes sem conta,
Mascarado de tudo
Menos de mim mesmo

Escuridão?
Lugar eterno
Sagrado
Escondido algures no peito
No sitio onde deveria estar o coração…
A escuridão sempre foi para mim
Mil e um braços acolhendo as lágrimas
Que estive disposto a entregar a alguém
Milhares de palavras de conchego
Feitas de imaginação.
Lugar escuro e sem sentido
Margem entre mim e o mundo
Mãe,
Pai,
E família
Escuridão?
O que para mim é a escuridão

Escuridão;
É Passado,
Presente;
E Futuro…
Escuridão é vida e morte
Escuridão, é coração!

10/06/2009

Asas…


Depois do meu texto/Pensamente "Vida?" uma querida amiga mandou-me este comentário no luso-poemas.net,


TiagoSempre o leio, porque você tem o génio de poeta apesar da sua juventude. Mas, vamos lá a ver: basta de olhar o chão precisa de levantar a cabeça e atentar no cume das montanhas que é nelas que nascem as águas bonançosas e que nos serenam o espírito.Espero a muito curto prazo lê-lo não como quem sobrevive,mas como quem abraça a vida!Aceite o meu abraço.

Olema.


Eis a minha resposta:





Estendo as minhas asas
E o vento a soprar arranha-as
O vento passa e eu nem o sinto
Será mesmo o vento que sinto?
Ou é a escuridão
Passando pelo meu corpo fechado?
Como um bebé no útero
Fecho-me em mim mesmo
O mundo nada me disse,
Nada me diz,
Nada me poderá dizer…
Aliás sou surdo!

Estendo as minhas asas
E o vento a soprar leva-as para longe
O vento passa e eu sinto-o
Porque não é o vento é o vazio!
Mil e uma vozes criticando;
Ninguém percebe e todos opinam!
Encolhido nas trevas
Fico como sempre fiquei…
Desde pequeno que me refugio…
Tento sempre fugir e nunca consigo
Como é que alguém pode fugir de si mesmo?

Estendo as minhas asas
E o vento a soprar desfaz-mas em mil pedaços
Será mesmo o vento, isto que não sinto?
Não!
Porque não é o vento mas sim a realidade,
Como a realidade mostra toda e a crua verdade
Eu não tenho asas,
Pois quem voa são os pássaros e não os humanos!
Os humanos não foram feitos para voar
Mas para estarem de joelhos desejando o céu,
Porque o céu não tem limite,
Mas o humano sim!
Eu não tenho asas,
E o vento não é o vento
Mas a minha própria realidade:

Não sou NADA!

08/06/2009

"Vida?"

A vida?
Diga mal da vida quem a tem!
Eu tenho?
Vida não tenho!

Eu não vivo!
Sobrevivo meste mundo...

07/06/2009

Luz e Escuridão…





Estou confuso,
Nem sei o que fazer
Tenho medo,
Luz ou escuridão;
Onde viver?

Não sei que passos dar,
Nem sei para onde olhar…

Luz,
Gama de comprimentos de onda
A que o olho humano é sensível…
Escuridão,
Ausência de luz…
Duas definições inventadas por alguém
Tão distintas, uma da outras,
Mas definições que não são as minhas

As minhas definições são estas:
A luz;
É tudo aquilo que amo e admiro
Mas a que não consigo chegar.
(É ela…)
A escuridão,
Pedaço de algo,
Vazio, lugar oculto sem localização.
(O meu coração que se perdeu;
Onde eu vivo!)

Eu amo-a!
E não o sabia de inicio;
Mas agora que o meu coração
Pesa uma tonelada
E tão fácil ver.
Sentir.
E arrepender…
A tua dúvida é a minha…
Amar não amar?
Para mim:
Luz, é o teu beijo;
Escuridão: é o meu quarto escuro
E o vazio do meu coração de pedra…

02/06/2009

Vazio…





Lá fora está escuro e eu tenho medo!
Está frio e eu apenas tenho a minha pele…

Ainda sou a mesma criança de sempre
Espero sempre a mesma hora
A hora em que no hospital chegam as visitas
Aquela hora um pouco antes do jantar
Em que vinha minha mãe,
E o meu pai às vezes…
Lembro-me como se fosse hoje!
A espera sem horas…
E todo aquele quarto escuro,
Às vezes dou por mim com saudades
Eu estava no hospital,
Era feliz “e ninguém estava morto” …

Ainda sou aquela mesma criança
A mesma que ainda quer colo…
Aquela que quer sorrir
Mas não consegue…
Lembro-me daquela janela
Aquele pavão branco que agora está morto
Talvez o pavão ainda esteja vivo;
Mas toda a esperança que ele representava morreu…

Lá fora;
No mundo,
Está um monstro e eu tenho muito medo.
Há um monstro com uns olhos grandes
E com uma boca ainda maior…
Tento adormecer de mais um dia…
Na insegurança de não estar em casa.
Rezo todos os dias!
(Porque rezo, se nem sei rezar
E nem me ouço a mim mesmo?)
Peço para voltar para casa,
Para junto dos peluches que te confortam a noite
Para longe dos tristes pesadelos.
Queres voltares para junto de quem amas
(Mas quem amas?)

Porque no vazio…

Ninguém ama!

01/06/2009

Recriação do poema de Fernando Pessoa


“O menino da sua mãe”


Ficou no tempo perdido,
Num dia que a morna brisa aqueceu,
Cadáver pálido, entristecido –
No plaino de saudades esquecido –,
Onde morreu.

Derramou o sangue, o soldado,
Morreu sem o saber ninguém.
Em lágrimas de sangue apodrecido,
Alvo e louro e frio, esquecido,
Jaz nas terras de além.

No seu olhar, tenra a idade!
(Morreu. E a culpa é de quem?)
Deixem-lhe na alma a verdade;
No corpo, deixou-lhe a mãe saudade:
Chamou-o “O menino da sua mãe”.

Caiu-lhe da vazia algibeira
A infância, os sonhos e o destino;
Fê-los a mãe à cabeceira
Da vazia cama de madeira,
Onde já não dorme o menino.

De outra algibeira, caiu-lhe a infância rasgada,
Abandonada a perdida esperança,
Deixada esquecida e ornada
Entre vagas lembranças… Da velha criada
A quem morreu a criança.

Lá longe em casa, acreditou-se
Na suave prece,
– Voltou cedo, sim, voltou!
O menino que sua mãe nunca enterrou…
São assim as malhas que o Império tece!

29/05/2009

Um vestido vermelho…





Foi apenas o que deixaste…
Um vestido vermelho
Onde não estás.
Conto as horas
Mas a morte teima em nunca me chegar.
Recordo o teu rosto em todas as molduras vazias
Olho o pôr-do-sol e pergunto porquê.
Deste-me a razão de viver,
E agora não estás
E eu perdi-me!
Tão bela que estavas
Naquele momento
Em que dissemos sim à eternidade!
Esfrego as lágrimas ao vestido
E perco o caminho,
Sem ti não sei contar os dias
Pois já nada mais importa…
Onde estás que eu não te encontro?

Nunca dissemos adeus!
Nunca realizamos os sonhos!
Nunca fomos um apenas!
Nunca mais voltaste…
Mas também eu sei;
Nunca partistes!
As flores nada agora significam…
Não voltarás nunca!
Venha a morte e nos una!
Venha morte e nos faça eternos um do outro!

Apenas um vestido vermelho!
E a palavra: “Amo-te!”
Foi apenas isso que me deixaste!
No dia em que nos meus braços,
Morreste sem honra;
E sem dizer: “Adeus!”
Adeus meu amor
Que amanhã estaremos juntos!
Como assim fomos destinados:
Para Sempre!

28/05/2009

A maldição dos Mil mundos







Foste amaldiçoado
E tu sabe-lo!
Foste amaldiçoado no dia
Em que pela primeira vez
Fizeste a tua voz soar neste mundo
O dia em que inocentemente nasceste!

Cada vez que respiras
Sabes respirar uma maldição
Imperdoável…
Caminhas dentro de ti mesmo
Sobre esse doloroso fardo
De nunca seres tu próprio;
O fardo de ir vivendo os dias condenados;
Condenado e só!

Pintas o contorno da tua sombra
Numa fria parede branca
E pintas uma porta.
Beijas a sombra
E desfazes-te do teu corpo
Caminhas em ti mesmo
E em mil mundos.
Caminhas e transbordas
Portas e portas e portas
Tantas quanto o teu olhar alcança…
Deste-lhes o nome de mundos paralelos
Paralelos ao mundo metafísico
E ao mundo onde te abandonaste.
Onde um dia cresceste
Pensando ser “feliz”…

Metes as mãos à cabeça
E arrancas os sonhos
Um por um todos caem à tua frente
E apercebeste da tua crua realidade
A realidade de ser careca,
Neste mundo de espelhos
Mil e uma bocas riem-se de ti!
Caras sem feição…
As cabeças que ostentam as bocas
São feitas de folhas de papel.
Desenhos de caras surgem
São os que amas…
Os que sempre amaste riem-se de ti!

O peito bate forte,
O chão desaparece
E num grito de criança
Sobes ou cais ao vazio!
O infinito parece ainda mais incalculável.
A queda ou a subida,
(Porque estás no vazio)
Vão arrancando pedaços de ti
Mas sabes não ser tu!
O teu rosto está impresso
Numa folha de papel
E ostenta um sorriso!
Ris-te de ti próprio…
Do fracasso de nunca atingiste
Pois até o fracasso
Está além dos teus limites

O espelho parte-se ao longe
E uma balada soa na tua cabeça
Tambores rugem
Ao vento que não existe.
Os tambores do fim
Anunciam o inicio…
Ouves alguém chorar,
Vês a pedra fria
E tem o teu nome.
Um buraco…
Lamentas ser careca
E nunca teres tido sonhos
Para lamentar nesta derradeira hora…

A terra cai sobre ti
E ouves murmurar
São as vozes das recordações
Abres os olhos
E o vento finge bater-te na cara.
Tens cabelo mas já não és tu.
Estás debruçado
Tudo é escuro
Menos o monte de terra
Onde estás sentado…
Estás sentado sobre a terra
Que engoliu o teu corpo
Tens flores na campa…
São as flores
De quem agora te ama…

26/05/2009

Quem me irá amar hoje?

Em mim existe um monstro,
Monstro cruel sedento de raiva e ódio
Existe um monstro que vive só
Num mundo que eu criei.
Sinto-me transfigurado em mim próprio
Na quente febre de me matar
As horas e o tic-tac do relógio
Despontam-me para o mundo real
Tudo é tão turvo e cinzento
Os dias são escuros e sem graça
Esqueço o sabor do pão.
O fugir da água pela garganta
O cantar dos pássaros
E a suavidade do vento
Batendo na cara levemente.
O mundo está podre!
O mundo inteiro é cego e demente
No desejo de raiva e sangue.
Aqui têm o meu
A pulsar-me nas veias
Dos meus braços abertos!
Aqui me têm a mim
Pronto para a derradeira batalha
Em que me irei render sem luta…
Serei engolido pela escuridão
E só as sombras se lembrarão de mim
E só a noite me murmurará
Em segredo nas esquinas
Da cidade onde nunca vivi.

Em mim existe um monstro
Perdido e escondido num labirinto
Feito das contradições do meu cérebro.
Está morto ou adormecido este monstro
Talvez com medo do mundo…
Pois em mim há um monstro!
E no mundo lá fora,
Na paz ou na guerra;
Na lágrima ou no sorriso de uma criança;
Há também um monstro!
Há Um em Todos nós!

25/05/2009

Há muito tempo que não te vejo…





Há muito tempo que não te vejo…
Desde o dia em não deixaste aquela carta
Em que dizes nunca ir embora
Como um dia prometemos um ao outro.
Mas ambos sabemos que as promessas
São vagas palavras enlaçadas no vento.
Onde estás meu amor?
Procuro por ti incansavelmente!
Procuro-te nos lugares em que nos amámos;
Os lugares que amámos,
E que nos amaram a nós.
Aqueles lugares que nos habituamos a ver
E que se habituaram a ver-nos a nós;
E ao pôr-do-sol e aos nossos beijos
E ao nosso amor jovial…
Procuro-te no banco do jardim de flores
Onde te vi pela primeira vez
Arrancando as tuas lágrimas de uma flor.
Era um malmequer com pétalas brancas
Parecia o sol que te raiava o cabelo.
Estavas tão bela e calma
Nessa manhã nublada em que o sol espreitava;
Mas com um olhar tão profundo e triste.
Como te poderia ficar indiferente?
Sento-me no triste banco onde não estás.
Está fria e molhada a madeira
É feita da minha alma e de memórias…

Foi nesse banco frio e triste,
Que vim apanhar a lágrima que deixaste no chão
Olhaste meigamente para mim e limpaste as lágrimas.
(Jamais esquecerei esse teu primeiro olhar!)
(Ainda hoje não o consigo decifrar)
(Tão profundo e doce)
(Tão belo e puro!)
Sorri para ti e deitei-te um beijo ao ar;
Achaste graça o meu jeito desajeitado
E contemplaste-me com um magnífico sorriso.
O primeiro de muitos que te roubei
E que depois te devolvi como sendo meus…
Nesse dia trocamos também a primeira palavra;
Ironicamente essa palavra foi um: – Porquê?
Contaste-me a tua história e logo respondi
“Ama quem deve ser amado!”
Dias depois encontrámo-nos nesse mesmo banco;
Debaixo do mesmo sol de sorriso aberto
Trocámos os primeiros olhares sem lágrimas
Por entre eles surgiram as primeiras carícias
Os primeiros abraços e gestos de silêncio,
E no silêncio fecharam-se as pálpebras;
Agarram-se as mãos,
Escaparam-se sentimentos por entre os olhos
E humedeceram-se os lábios um no outro
Selando um beijo que não era dado à séculos…

Vagueio na estrada de alcatrão à tua procura
Vem-me à memória as corridas que fazíamos
Parecíamos crianças brincando com a sua inocência!
Mas nós apenas brincávamos com o nosso amor:
E tão inocente e sem maldade era o nosso amor!
Surgiu na esquina o antigo prédio
Tão robusto mas tão cheio de memórias e amor
Fomos nós que lá deixámos as memórias e o amor.
Ainda estão gravadas na parede velha as nossas palavras:
“Amar-te-ei amanhã também, e todo o sempre”
Encosto-me à parede e abraço o vento;
Cerro os lábios por causa do frio.
Abraço mais forte e sinto os teus cabelos,
A tua respiração no meu peito,
E a tua testa sobre o meu queixo…
Olho o céu e a noite está clara;
Cheia de estrelas, e com uma lua parecida com o teu olhar
Como tu amavas as noites assim!
Como tu amavas a lua tua gémea!
Como tu amavas as brilhantes estrelas no céu negro!
(Como tu me amavas a mim nessas noites!)
E ficávamos assim até irmos embora,
Em longos longos silêncios
Nas longas longas noites de silêncio…

Quando partiste tu e me deixaste só
Desamparado e sem ninguém para abraçar
E falar em longos longos silêncios
Nas longas longas noites em que amavas?
Entro em casa.
O dia está chuvoso e frio
Assim como o espaço vazio que me deixaste no coração
Entro no quarto e não está lá ninguém;
Ainda me lembro daquele dia, também ele chuvoso
Em que de rompante entramos no meu quarto
E caímos na cama mole.
Depressa voaram as roupas para o chão,
Os beijos nus voaram pelos corpos
E passamos a longa longa noite
Em longos longos momentos loucos de silêncio…
Eu contemplei-te, tu contemplaste-me
Deixámos os caminhos incertos
E unimo-nos num só caminhar.
Foi nesse momento que descobri a razão do viver até agora.
Foi nesse dia que me achei homem finalmente.
Deixámos o mundo inteiro de lado
E decidimos viver o nosso próprio mundo…
Apenas eu!Apenas tu!
Apenas nós!
E o céu triste e sem estrelas
Fez aparecer as estrelas só para nós
E junto a um dos teu muitos sorrisos
Surgiu a lua por entre as nuvens
Eu, tu, nós;
A lua, as estrelas e um mundo inteiro só nosso!

Os lençóis ainda têm o teu cheiro!
A almofada ainda encerra o teu sorriso!
Parece que a cama ainda está quente,
Afinal ainda ontem cá estavas
Bem ao meu lado contagiando-me
Com esse teu longo longo sorriso de sol…
O vazio quarto, tu não estás!
O teu sorriso, os lençóis
O teu cheiro, a almofada
O teu cheiro, o teu corpo, o teu doce sorriso
Chove novamente!
A chuva cai, e as minhas lágrimas, e chuva cai…
A luz vai esvanecendo, os olhos divagando fechando, a luz apagando…
Um trovão!
Bate forte na cabeça e no coração
O inesperado trovão!
Acordo em sobresalto,
Não estás!
Um sussurro trás a tua voz ao meu ouvido
Gentil e meiga a tua voz!
“O que se passa amor?”
“Nada, apenas amar-te-ei amanhã também, e todo o sempre!
Nada mais se ouve agora para além da chuva…
As roupas no chão, os teus cabelos no peito
A tua respiração na minha cara,
Tudo está igual…
Nada mudou, tudo igual!
“Dorme meu amor,
Amanhã estarei do teu lado…”

E adormeci na certeza de estares ao meu lado…

22/05/2009

Lá longe!





O mar
É o mar que me trespassa o coração
Essa infinidade que não me deixa amar

É a distância
É a distância que me arrasa o ser
Essa longitude que não me deixa sentir

O mar e a distância comungam contra o amor
Pois, lá longe sem eu saber;
O teu olhar procura o meu
E o meu procura o teu…

Mas é lá longe;
Não aqui!
É lá longe.
Lá longe da rua ao lado,
Lá longe da cidade vizinha,
Lá longe do país de fronteira,
Lá longe do mar.
Lá longe, bem longe!
Além de tudo o que a vista alcança!

Além de tudo o que sinto…
É aí que estás
Em cima do mundo
Ao pé desse arco-íris
Chamado de felicidade.
É aí que quero estar
Bem ao teu lado
Não longe, lá longe de ti!
Mas bem perto, bem perto de nós
Apertando no peito
A nossa calorosa
Doce história de amor.
Que resistiu ao tempo,
À distância,
E ao mar…
Para se realizar assim:
Eterna!

21/05/2009

Além do Arco-íris…

Além do arco-íris
Há a vida inteira à espera
Há uma porta sempre aberta
Por entre um caminho de nuvens
Onde os sonhos se desfazem
E se tornam realidade…
Além do arco-íris
Há sempre alguém que nos ama.
Desfaço as estrelas na minha mão
Sopro mil pedaços de desejos
E sei que voarão…

Além do arco-íris
Há o mundo imenso para descobrir
Há a realidade destorcida num sorriso
Se voar na luz
Sei que vou encontrar quem amo…
Além do arco-íris
Há tudo o que conheço!

20/05/2009

Amar...





Desejo sentir o rubor dos teus lábios...
Desejo percorrer todos os pontos do teu corpo
Com as minhas mãos sedentas do teu calor...
Desejo ver-te e dizer-te mais que um olá
Poder olhar-te nos olhos beijar os teus eternos lábios...
Seguidamente percorrer com os meus lábios ainda insaciáveis
A tua cara, pescoço, e mãos...
Deixar-te louca e sedenta de amor...
Só irei parar quando conhecer todo o teu corpo
Na inocência de um bebé...
Anseio contigo viver uma história breve e fugaz,
Cometer loucuras e beijar-te.
Desejo percorrer-te as curvas
Enquanto desfruto da inocência do teu beijo...
Desejo sentir a tua pele molhada no meu corpo
Ansiando pelo toque das tuas mãos no meu peito.
Cobiço o toque da tua mão suave...
Anseio que a tua mão ocupe toda a minha cara e me empurre para baixo,
Para a loucura!
Que me faça despertar o meu olhar...
Acordar e ver o teu corpo por inteiro
Desejo perder-me no teu olhar,
E ser encontrado na humidade dos teus lábios...
Desejo sentir os fios do teu cabelo
Por cima da minha cara, pescoço e tudo mais que desejes...
Apelo todos os dias à saudade
Que me deixe mais uma vez sentir a pureza da tua mão
E ter-te em mim e deixar-te à beira da loucura
E dizer amo-te!
Nada mais importará...
Diz-me...
Promete-me...
Beija-me...
Olha-me e exclama que simplesmente que me amas.
Que me queres todo teu!
E nada mais para mim importará
Apenas restará o passar das horas...
Diz-me que o que sentes é amor e desejo
E a noite irá cumprir-nos como amantes
E os gemidos selaram este desejo de ser
Um só!
No fulgor da transpiração
Depois de uma noite louca…
Amor!

15/05/2009

Saudades?

Saudades?
Se sentirei saudades?
Sentirei hoje, amanhã e depois;
E talvez para sempre!
Pois todos sentimos saudades.
Saudades dos lugares que amamos
De quem amamos.
Sentimos saudades dos lugares
[e das pessoas que fizeram parte de nós.
Onde deixamos um pouco de nós,
E que deixaram um pouco em nós.

Tentamos esbater as saudades
Colocando uma moldura num lugar especial
Ou olhando o céu procurando as estrelas
Para saber um pouco de quem ou do que recordamos.
E o passar das horas e dos dias
Irá cobrir a saudade com o pó
Porque o pó é uma infinidade do tempo
E é feito de memórias que jamais esqueceremos
Que fica por ai entre as coisas que amamos
Ou que alguém amou por nós…
E ao passar os dedos por essas memórias perdidas
(Ou pelo pó do esquecimento relembrado!)
É que parecemos notar a falta
Dos lugares e das pessoas que continuaremos sempre a amar.

Podemos, ou não visitar os lugares
Podemos, ou não visitar as pessoas
Pois sabemos sempre onde estão!
Naquele lugar especial em que guardamos tudo;
Aquela bomba que pulsa vida com memórias
Que decidimos apelidar de coração…

13/05/2009

Are you the saviour?




Are you the saviour?
Deeps
Dark
Smoke
All flames!
Screams, and cry...

Are you the saviour?
Gun
Angry
Steal
Shoot
And death...

Are you the saviour?
My story
Airplanes
Towers
Massive destruction
God...

Are you the saviour?
Hiding Shadows
Climbing the mountain to heaven
Remorse
Pain
No face
Eternal suffering
No memory
No earth
Dark souls!

Murderous!
They call us!
(Murderous! Murderous! Murderous! Murderous! Murderous! Murderous!)
Murderous voices!

Are you the saviour?

Please,
SɅ˅Ʃ-Us!

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10/05/2009

Partiste mas nunca de mim…




Do mundo partiste
Mas de mim nunca saíste.
Dois anos já se passaram desde que foste
Mas tudo continua tão igual
As dúvidas, os tormentos, o medo da noite…
Tudo!
A revolta é maior e saudade ainda mais
Partiste e em mim deixaste um coração vazio
Tudo á minha volta se desmoronou
E mundo já não faz sentido,
Vou aprendendo a crescer
Mas ainda preciso de colo
E das lições que davas no olhar
Preciso apenas de ouvir a tua voz
Profunda e sabida do mundo
E de como enfrentar a vida
Preciso dos seus conselhos pois vida
Está cada vez mais louca e difícil…
Os dias negros assolam-me e eu sinto a tua falta

Nunca imaginei a tua partida
Mas agora acordei
E destapei os lençóis que me cobriam
E descobri que não estás…
Quando olho para a cama onde só está a minha mãe
Sinto falta de outro beijo de boa noite.
Olho a garagem e carro vermelho está parado
Tão triste aquela máquina pela qual lutaste
Com o suor do teu trabalho…
O silêncio do motor é aconchegante
Passo os dedos pelo pó e lamento
A lágrima cai e o vermelho brilha como sangue.
Olhos as estrelas
Parecem milhões de olhos
E tento encontrar os teus…

Onde estás?
Partiste mas nunca de mim…
Partiste para onde?
Onde meu pai,
Que as palavras e lágrimas que aqui derramo
Cheguem a ti eternamente!

Desculpa todos os erros que ainda cometo!
Amo-te!

06/05/2009

“A morte passou por mim…”





A morte passou por mim
E deixou uma cicatriz no meu coração.
Deixou-me uma cicatriz no coração
A morte que por mim passou...

Passou por mim e não teve pena
Passou e arrancou o meu juízo
Passou por mim e deixou a destruição
Passou de repente e nem me olhou

A morte passou em mim
E ninguém se apercebeu
Ninguém se apercebeu
Mas a morte passou em mim

A morte passou por mim e em mim
E a minha cara começou a sorrir
A morte olhou-me em soslaio
E andei em frente no céu
E comecei a ser eu mesmo
E eu fiquei feliz…

Um anjo parou à minha frente e perguntou:
“Quem és?”…
Perguntou e ninguém se apercebeu
E eu continuei sorrindo
E morte continuou olhando-me de soslaio
E eu continuei andando no céu
E eu continuei a ser eu mesmo
E eu continuei feliz…

O anjo que parou à minha frente
Tocou-me e eu desfiz-me em mil pedaços
E alguém se apercebeu
E eu deixei de sorrir
E a morte deixou de me olhar em soslaio
E eu deixei de andar no céu
E eu deixei de ser eu mesmo
E eu deixei de ser feliz…
E de mim saiu o pó dos anos!

04/05/2009

(As estrelas que ficaram por beijar!)





Foquei os meus sentidos em ti
Sei que estavas lá algures
Ou ainda estás!
Perco o tempo o espaço
E tudo aquilo que conheço
E tudo aquilo para que vivo!
Procuro-te na multidão
Que vai atravessando a cidade
Numa agitação total…
Não estás!
Nunca estiveste nestes anos todos
Anos inteiros numa incessante procura
O que procuro?
É sempre essa a pergunta…
Procuro-te a ti meu amor.
Na sorridente memória que tive de ti.
Eu era criança
E vi-te partir na multidão
Eras uma mulher linda
Como nunca na vida vi.
Só agora percebo
Que a tua imagem
Já vaga e distante em mim,
Era uma recordação de ti
De como eras antes
Na noite em que te conheci
Numa vida anterior a esta.
A noite tinha uma lua cheia
E tudo era belo e agradável…
O céu era negro
E transportava estrelas brilhantes
Prometemos diante do mar
Até ao fim da nossa vida
“Por cada estrela um beijo!”
(Quem diria que a vida seria tão curta!)
E quem diria que esse mesmo mar
Onde prometemos eternizar a nossa vida
Te iria roubar de mim?
Vim à tona e procurei-te
Fui ao fundo e não te encontrei
Desci ainda mais fundo na vida
Pouco tempo também eu viajava
No mundo como um espectro
Ouvi na rádio o meu suicídio,
O país todo ouviu…
Vim para outra vida
E só agora e recordo.
Agora entendo o medo do mar…
O medo da perda…

Às vezes,
Em noites de lua cheia;
Olho o céu as estrelas
Algumas estrelas brilham
Foi as estrelas que beijamos
Outras mais tristes,
Sem brilho,
Tentam sorrir aos mortais…
Foram essas as tais
As estrelas que ficaram por beijar…

03/05/2009

100 Anos de Amor





Ter-te em mim ternamente
Jurar lealdade e amar-te
Assim eternamente…
Somos prisioneiros em coração de ouro;
“Culpados de inventar a liberdade.”
A liberdade de um gesto de carinho,
A liberdade de olhar o mundo,
A liberdade de amar,
A liberdade de um grito irrompido noite dentro…
Seremos nós de muito
Que em nós veremos crescer!
E quando já velhos apenas nós
Nos for faltando o ouro nos dias cruéis,
Ter-nos-emos um ao outro
E apenas o coração.

Juntos iremos então lembrar
Tudo aquilo que agora é de outrora.
Saberemos assim cumprida a promessa
Amámo-nos!
Respeitámo-nos!
Na saúde e na doença,
Na alegria e na tristeza,
Na riqueza e na pobreza…
Unidos trocaremos os últimos beijos
A últimas carícias,
E por fim as últimas palavras de amor…
A hora chegará e o saberemos;
E diremos o derradeiro “Adeus!”.
“Adeus!” ao mundo,
Mas nunca um ao outro!
Pois a morta juíza
E carrasco dos mortais
Levar-nos-á aos dois
Para onde nos possamos talvez
Amar-nos para todo o sempre!

Pois o corpo morre
Mas o amor é imortal
E dura para sempre!

28/04/2009

A Escuridão engole cabeças!





Encolho-me na escuridão
Ponho as mãos na cabeça
E não sei o que pensar.
Chorar, escrever
Gritar, morrer?

O mundo está doente
Eu sei que ele está doente!
A vida está no céu
Presa por um fio sem atrasos…
A morte passa por todos
E ninguém se apercebe.
Ninguém se importa,
“Desde que não me toque!”

Há um rosto escondido nas trevas
E não é de certeza o meu:
É a escuridão
O rosto de uma sociedade
Apelidada moderna.

Já não há mendigos na rua
Muitos mortos pelo pão
Que forçosamente os obrigaram a engolir.
Mas a maioria está escondida
Em becos onde a escuridão os espera;
Porque a escuridão
É um monstro que engole cabeças.
Que engole ideias diferentes.
Diferentes das ideias
Daqueles que tem garfo e faca
Para poderem empanturrar-se
Com sangue que sobra da guerra.

E todos os aplaudem como heróis;
Porque já não há crise
E povo está feliz!
E o que há a fazer?
Lutar contra um sistema sistemático?
Nada há a fazer

E eu penso;
O que há a fazer?
Chorar, escrever;
Gritar, morrer?

Talvez deva cortar a minha cabeça…
(Antes que me a engulam!)

16/04/2009

A minha frase sem sentido…




Um dia deixei uma frase sem sentido
Voar por entre as árvores do mundo.
E um outro dia sem eu esperar
A frase que deixei um dia com o vento
Bateu na minha janela.
Abri a janela e deixei-a entrar
Depois de abanar os papéis
E de viajar nos livros de histórias
Tocou no pó da mobília já velha
E entrou como um sussurro no meu ouvido.

A minha frase sem sentido
E sem palavras ou sons
Que um dia deixei ao vento
Havia regressado finalmente a mim.
Depois de ter viajado pelo mundo inteiro
A minha frase sem letras ou sons
Regressará a mim trazendo em si
As boas e más do mundo lá fora.
Regressará para me trazer do mundo imenso,
Todas as boas e más palavras
Que faziam sentido a alguém,
Que algures lá fora;
Num dos quatro cantos do mundo
Decidiu
(Assim como eu)
Soltar ao vento…

Das palavras que completaram a minha
Deixo-vos eu algumas:

Paz,
Amor,
Guerra,
Tristeza,
Solidão,
Medo,
Fome,
Alegria,
Felicidade,
Saúde…
Assim como eu
Quando sentirem o vento bater-vos na cara
Sussurrem uma palavras que para vós
Faça sentido nesse momento.
E juntos comigo pensem também;
Que lá fora nesse mundo carrasco
Há sempre um alguém que não tem boca
E não pode dizer
Assim como nós
Do fundo do seu coração
Todas essas palavras boas ou más
Que fazem de nós
Apenas seres humanos…

08/04/2009

I' m not Insane?!

I’m nOt InsAne?!


Eu sei que não estou louco!
Eu não estou louco!
Eu sei que não estou louco!
Não estou louco!
Eu sei que não.
Eu não estou louco
E não estou sozinho.
Ele está comigo;
Ele é o meu melhor amigo.
É diferente de todos os que conheci
Ele está pendura do por uma corda
Que está no centro do meu quarto
Ele gosta muito de mim…
Diz que a minha solidão e a dele se complementam!
(Na minha opinião;
Ele é louco!)
Ele gosta de confessar os seus segredos
E eu confesso-lhe os meus…
São iguais.
Ele tem os olhos profundos e negros
E apesar de mortos os olhos vazios
Estão mergulhados de dúvidas.
(Os olhos dele são idênticos aos meus!)
Os cabelos deste meu amigo
(Que são iguais aos meus)
Pendem-lhe frouxamente da cabeça.
Alguns estão espalhados na camisola negra,
Outros, os que foram arrancados
Deambulam pelo chão.
Eu olho-o de todo,
(Ele é igual a mim!!!
Parece que olho um espelho
Não!
Ele é apenas parecido comigo!)

Eu não estou louco!
Ele sim! Ele está!
Eu não sou louco,
Ele é que é!
Eu não sou louco!
Não sou, pois não!?
Ou sou?!
Eu sou louco!
Louco!!!
Louco!!!

05/04/2009

“Adeus!”




“Adeus!”…
Foi essa a última palavra.
A última palavra que ouvi os teus lábios dizerem
Aos meus ouvidos sempre ansiosos de te ouvir
“Adeus!”…
Foi apenas o que disseste,
“Adeus!”…

Esse singular “Adeus!” fez-me lembrar outros tempos,
Naqueles fins de tarde
Em que abandonavas o “nosso” banco de jardim
E dizias “Adeus!”.
A esse “Adeus!” cheio de esperança,
Seguia-se sempre o “Até amanhã!”

Mas esse teu último “Adeus!” foi tão diferente
A esse “Adeus!” não se seguiu o “Até amanhã!” de sempre.
Da tua boca o “Até amanhã!” não veio
Nem o sol trouxe o “amanhã”
Para muitos o amanhã veio
Mas para mim não.

Sem ti não há o “amanhã”.
Sem ti não há o dia seguinte.
Sem ti não há o cantarolar que já fazia parte de mim.
Sem ti não há o banco de jardim,
Nem o final de tarde.

Sem ti o “nós” é vago e perde o sentido.
Sem ti o “nós” é solidão e caminho perdido.
Sem ti o “nós” é apenas um “eu” recordando
Sem ti não existe a doce ressonância do “Olá!”.
E o único “Adeus!” que ainda perdura
È apenas um mero eco da recordação…

“Adeus!”…
Foi isto que disseste quando te levantaste do banco de jardim,
Olhaste os meus olhos e despiste-me a alma
(Sempre foste a única a fazê-lo,
Ao olhar-me nos olhos,
E de alguma maneira e sem porquê;
A olhar-me a alma.)
Deste-me um beijo nos lábios e voltaste a dizê-lo:
“Adeus!”…

Viraste as costas e a esquina do jardim…
Ainda vi os teus cabelos pairando sobre os arbustos,
E então desapareceste!
Algo em mim sabia que algo fora esquecido.
Algo ficou por olhar, por beijar, por recordar,
Ou talvez por dizer…

O dia seguinte brotou e o sol beijou-me a cara
E lá estava eu esperando o teu beijo de bom-dia no banco de jardim…
A espera foi longa, e sol foi embora.
O bom-dia não veio nem o teu beijo nos meus lábios
Lembrei o teu olhar e as tuas palavras:
“Até amanhã!”…
Agora sei o que ficou por dizer!
Naquele banco onde ainda te espero
Apenas para te dizer o que foi esquecido:


..."Adeus!"...

02/04/2009

Um dia virás!





Sei que virás!
Um dia virás!
Quando virás?
Algures no tempo;
Nunca o saberei…
Mas um dia virás.
Sei que virás!
Porque desde o dia em que nasci,
Que tenho aguardado sentado
Diante da porta que conduz ao meu coração
Esperando sempre por ti.
Esperando que tragas a outra chave
Que abre as portas do meu coração
À quente e doce Felicidade!
Sei que virás!
Um dia virás!

Sei que virás!
Porque tu sabes que algures
No mundo tão desconhecido,
Alguém espera por ti!
(E são tantas, tantas, as pessoas
Que no mundo lá fora,
Esperam alguém para amar!
Numa interminável busca,
Por um sorriso nos lábios,
Ou pela palavra felicidade
Numa carta de amor,
Ou num beijo de despedida.)


Sei que virás!
Um dia virás!
Porque também tu
Estás algures no mundo,
Com a face gelada ao vento
Procurando alguém.
Talvez tu sem saber,
Procures por mim
Assim como eu procuro por ti!
Provavelmente o destino,
Senhor todo-poderoso
Dos caminhos humanos,
Ainda não nos queira cruzar os caminhos
Talvez o destino,
Mestre incontornável do tempo
Queira ensinar-nos
A amar primeiro de uma forma errada
Para quando juntos finalmente
Possamos amar-nos eternamente bem…

Sei que virás!
Um dia virás!
Espero que venhas um dia,
Porque senão foi em vão,
Toda esta vida
Diante de uma porta
Olhando um relógio parado
Numa parede vazia
Esperando alguém sem rosto
Sei que virás!
Um dia tu virás!
E eu serei feliz…

Eu sei que virás!
Sei,
Porque é essa a minha esperança;
A esperança;
De quem quer viver mais um dia!

Alzheimer…

“Quem sou?”
Não sei!
Só tu sabes quem sou…
Apenas tu sabes quem sou!
Porque se tu não o soubesses;
Ninguém mais o saberia.
Se tu não soubesses;
O mundo inteiro ter-me-ia por incógnita…

“Quem sou?”
Tu sabe-lo!
Tu sabes quem sou!
Sabes por está nas tuas lágrimas,
No teu esforço,
No teu suor,
Em toda a tua dor,
E em todas a outras coisas que te compõem
E que fazem de ti um ser…
E sobretudo;
Nesse teu enorme coração…

Tu sabes quem sou!
Porque se tu não soubesses;
O mundo inteiro não saberia!
Eu não saberia
E nem sequer existiria!

Perguntas-me:
“Quem és?!”
Tu sabes quem sou!...
Eu sei que tu sabes!
Porque se tu não soubesses;
Quem mais saberia?

01/04/2009

“Despedida de Julieta a Romeu”

Que este frio punhal
Cravado sobre meu peito
Eternamente me corrompa
Este estranho corpo que aqui deixo
E que me esventrei a entranhas.
Mas que jamais no tempo e no espaço
Este punhal com que desfaço meu coração
Me apodreça a alma eterna minha.
Porque em outras vidas na distância das eras
Que me lembre eu da tua face
Dos teus gestos e das tuas carícias.
Que o destino todo-poderoso
Nos separe vezes sem conta;
E que nós,
Num acaso desse mesmo destino
Unamos nossas mãos e nossos lábios.
E outrora perdidos nos encontremos
No fôlego de mil beijos de amor proibidos…

Novamente juntos voltaremos então;
À cama de lençóis brancos
Ainda quente de nossos desejos.
E cumpridos os dois seremos um
Pois na memória do mundo
Que sabendo sem saber
Nos proibiu e eternizou na palavra amor,
Seremos relembrados;
Culpados e julgados;
De um dia por acaso do destino
Termos inventado no amor;
A palavra Eternidade…

03/02/2009

O gelo do teu olhar…




Porquê; agora?!
Porquê todo esse frio
Tão triste, e tão impenetrável?
Porquê toda essa indiferença?
Talvez nunca tenhas reparado;
Talvez tenhas sido sempre indiferente;
Talvez nunca tenhas gostado de mim…
Mas porquê mostra-lo agora?
Agora, porquê?

Faço tantas tentativas
Para amar-te novamente;
Desta, daquela ou da outra maneira…
Mas não consigo mais!
Porque não me deixas olhar-te nos olhos,
E penetrar todo esse gelo?
Esse teu gelo de indiferença,
Onde congelaste o meu rosto.
Onde as palavras e os beijos
Que só para ti escrevi;
Não conseguem entrar…
E por fim, estilhaçar;
Toda essa cortina que nos separa…

Será que quando olhas para o lado,
Não reparas no canto frio e escuro
Onde estou escondido do mundo?
Porque não tentas tu,
Olhar-me nos olhos,
E desnudar-me de toda essa mágoa
Que me afasta e me gela
Nessa triste e fria distância
Tão próxima de ti?…

Porquê agora?
Porquê nesta altura,
Em que na minha face
Pelas primeira vez em sempre;
Se rompeu um doce e meigo sorriso?...
Porquê depois do dia 13 de Janeiro?
Depois desse dia,
Que será para sempre;
Apenas em mim, em ti, talvez?
Porquê agora esse gelo?
Porquê toda essa gelada indiferença?
Agora porquê?
Porquê; agora?!

“É Ódio ou Amar?”

Eu não acredito!
Eu não quero acreditar!
Que o meu mundo de infinito
Se voltou a pintar…
Quando se pintou,
O mundo de negro outra vez?
Numa triste instância
Quando e talvez;
Dei eu importância
A quem nunca me amou?

(Refrão)
Porquê agora?
Porquê agora?
Quando tudo se estava a recompor!
Porquê nesta maldita hora.
Decides ser o meu amor?...

Entraste no mundo que é meu
Apagaste a chama acesa
Deixas-te a incerteza
E perdi-me no meu eu…
Algures dentro de mim
Corrompendo-me assim
Serás tu!…
Serás tu!…
O meu triste fim?!

Há algo que não entendo
Algo estranho que não compreendo;
Uma espécie de sentimento
Que aqui me ficou no pensamento…
Não compreendo;
Não quero compreender!
Não entendo;
Eu não quero entender!
Este meu alento
Que não me deixa respirar.
O que é este sentimento?
É Ódio ou Amar?

Cada vez mais estranha e escura;
Esta dúvida que perdura,
Ou esta minha loucura?!
Mas porquê?!
Mas porquê?!
É Ódio ou Amar?
Só este meu olhar
É que não quer e não vê!

(Refrão)

Ainda estás presente
Nesta minha mente
Que não te quer esquecer...
Eu não compreendo!
Não quero compreender!
A loucura deste sentimento
Que não me deixa adormecer!
Quando se voltou a pintar
O mundo de negro outra vez?
Em que triste instância
Dei eu importância
A que nunca me vai amar?
Porquê agora?
Nesta maldita hora,
Decides trazer a dor...
Apagas-te a chama acesa,
Deixas-te a incerteza....
É Ódio ou Amar?!...

(Refrão)

Procuro a escuridão
Para apagar esta dor
Que aqui ficou no coração;
É Ódio ou Amor?!
Quanto eu te odeio
Por saber que te amo!
Mas mais me odeio a mim
Por saber que serás tu!
Serás tu!
Serás tu!
O meu triste fim!
O meu triste fim!...
É Ódio ou Amar?!
É Ódio ou Amar?!...

30/01/2009

O Quarto!...





Assim será sempre!...
Sempre o mesmo quarto frio e solitário!
A mesma humidade escura
Incrustada na mesma gélida parede branca
Sempre e sempre os sussurros;
Vozes feitas de silêncio
Que nada dizem
Contando a história de ninguém…
O mesmo choro carregado de solidão
Preso nas paredes já com musgo…
Também existe a estante de madeira podre;
Livros amarelos e já gastos pelo tempo que morreu,
Simetricamente arrumados da mesma maneira de sempre!
(Nunca ninguém se deu ao trabalho de os ler
E de os descobrir em muitas versões…)
A estante que acumula o pó dos anos nus.
Ao lado a mesma televisão velha
Com a mesma imagem feita de serenidade negra.
(A televisão faz-se branca do ódio dos anos!)
Majestosamente erguido na parede
O monstruoso guarda-fatos
Imperialmente alçado em jeito de gigante Adamastor
É o rei de tudo onde afinal não há nada!

Ao fundo uma porta fechada
(Como sempre esteve ao correr dos anos!)
Com a sua típica rispidez de madeira crua...
E que em segredos esconde este mundo!...

De rodas presas no soalho
A enfadonha cadeira com cheiro a mofo.
(Dizem que em cima dela repousa o tempo!)
Na secretária ao pé da cadeira
O mesmo caderno de capa preta entreaberto
Nele leem-se algumas palavras
Que o tempo com pena não quis consumir...
(Parece que lá vivem memórias de outros tempos!)
As páginas vão dançando enquanto o vento as lê!...
Numa ordem aleatória de uma maneira qualquer,
Completamente desordenada e sem sentido!
A janela aberta vai deixando entrar o ar que sufoca!
No alto da secretária, lá bem em cima;
Há uma estranha moldura;
Com as fotografias de umas pessoas quais queres…
(E talvez algumas lembranças!)
Lá bem em baixo,
Ao pé de caixote do lixo com cinzas em decomposição;
O cotão deambula pelo chão gasto.
(Que já tão bem conhece!)
Depois no meio da parede,
Opostamente ao guarda-fatos
Há uma grande cama de casal
Mas pequena na humildade que transborda
A cama está encolhida a um canto
(Como se tivesse vergonha do que veste!)
Aqueles lençóis cheios de sujidade arranhada
Parecendo cochichar com a mesma mancha de sangue seco
Que vai apodrecendo com o tempo…
(Parece que alguém morreu aqui um dia!)

Assim se sentem os sonhos
Entre uma porta trancada
E o castigar do vento numa janela aberta…
(Alguém os deixou um dia perdidos!)
Neste quarto vazio e sem nada!
O quarto de ninguém!...
Sempre foi assim...
Este triste quarto onde um dia vivi;
E onde um dia me morri...
Assim será sempre!...

29/01/2009

O circo de ninguém...





Já ninguém vai ao circo
Ver deixar numa corda a vida.
E assim em mim comtemplando fico
Errante lamentando tradição perdida...

Já ninguém vai, já ninguém acredita;
Na jaula feras e um domanor
Ou os saltos do trapezista.
Ele domina, ele salta; é o Empreendedor!

Não se quer saber do equilibrista.
Todos equilibram agora
Todos são o artista
Equilibrando a já tão contada hora...

O mágico oculta segredos na cartola.
A sociedade, apenas palhaços à estalada
Todos de pescoço na ponti-mola.
Todos falam, ninguém sabe nada!

Entre palmas e gritos de um mundo
(Porque nunca ninguém lá entrou)
Encerra-se o circo mudoTodos apontam ninguém se acusa do mundo que desabou

14/01/2009

Homenagem a Fernando Pessoa: "Quem sou?"


Quem sou…

Quem sou?

Não sei!

Talvez seja este

Ou aquele,

Que não sabe;

Que este é aquele

Que quer ser ele próprio…

12/01/2009

Palavras no ar...


Desenhei no ar o teu nome
Pintei-o de azul céu…
Estendi os braços e aconcheguei-o
Soprei bem do fundo do pulmões…
Fuuuuuuuuu!!!!
E lá foi voando
O teu nome pelos céus…
E junto do teu nome,
Bem lá no canto
Deixei uma pequena mensagem…
(Sem ti um mundo fica incompleto,
Os dias são cinzentos e falta a luz…
Contigo o mundo é lugar ideal!
Amo-te…)

06/01/2009

Driven Under II

Do nascimento até morrer;
Sempre mentir é condição
Querendo sem querer,
Nascer e morrer é ilusão
A mentira empurrar-me-á para baixo de mim
Soterrado sempre assim;
Numa folha de papel será mentido o meu fim...