16/10/2019

Carta amor para ti (Ele a Ela)


Que no tempo e no espaço,
Nunca nós, desencontrados.
Destinados mais que na tinta à pele,
Mas no sangue que não o mesmo;
Na alma...só uma.
Que não nos diga o contrário ninguém;
Nessa mentira invejosa e vil,
Às escondidas de se querem como nós.
Mas nós somos sós;
Assim únicos e solenes
Que nem em tempo,
Nem em espaço,
Tal coisa ou acontecimento
Criada de um Deus
Ou fragmento de uma loucura humana.
Somos Amor do amor.
Que se cria e se morre sobre si.
Que à morte digas o meu nome,
Para nela eu te encontre...

Carta ao meu amor maior (Ela para ele)



À morte dirás o meu nome; 
Para que ela saiba sempre
A quem te trazer de volta... 
À morte falarás do nosso amor; 
Não para que ela nos inveje, 
Mas para que te envolva 
E te traga de volta, seguro a mim. 
Nesses caminhos antigos de onde viemos, 
À juventude fomos esquecidos 
Por já sermos de há tempo demais. 
Mas a mim que ninguém me minta; 
Que exista hoje como igual, 
Amor assim como o nosso! 
Resistindo ao tempo, 
Que no espaço nos tornará pó. 
Mas em qualquer tempo, 
Em qualquer espaço: 
Alma apenas uma; 
Nunca desencontrados...

21/12/2012

A beleza dos nossos olhos...

No outro dia sonhei contigo meu amor.
E com outras coisas
Vagas demais para serem lembranças.
Sonhei contigo e com a noção
De eu ser real para ti...
E tu existias mesmo
E eu existia para ti,
Existiamos um para o outro
Como unos.
Porque nos sonhos tudo existe
E nós tambem existimos;
Tenho quase a certeza que existimos!
Mesmo que só por aquele instante
Em que se dá o sonho.
Sonhei que eras bonita
Como eu sempre quis,
E ao mesmo tempo feia
Porque eu nunca soube como te queria.
Apenas te tinha
Como naqueles sonhos que eu tenho
Quando é de dia e eu estou acordado.
E do sonho;
Não me lembro de mais nada
Que senão de nós os dois.
E só isso me bastou...
E ainda basta.

Mas ao mesmo que me sorrias
E que me amavas
(Sim! Porque no sonho eu também fui amado.)
Mais bela tu ficavas
Aos olhos que eu tinha de ver,
No sonho que eu tive
Quando era de noite.
E demos as mãos
E dançamos
E fizemos tudo só nessa noite.
Porque agora que já não estou a sonhar
Mal me recordo desse sonho,
Mas tenho quase a certeza
Que fizemos de tudo,
Das coisas que eu quero fazer
Sempre que tenho outros sonhos acordado!
Porque eu já sabia
Que não mais sonharia
Contigo outra vez.
E agora que estou acordado,
E que é de noite,
E que escrevo o meu sonho
Porque tenho a esperança
De ter o sonho
Que tive da outra vez em que sonhei;
Espero sonhar-te outra vez.
Assim feia e bela ao mesmo tempo.
Porque essa beleza
Que tu tiveste no meu sonho,
Que só foi bonito para mim;
Estava nos meus olhos
E nos teus olhos que olhavam para mim...
E éramos os dois bonitos
Um para o outro
E para mais ninguém.

Porque a nossa beleza
Estava na beleza dos nossos olhos
A olharem um para o outro.

27/11/2012

Passei a vida inteira a esconder-me

Passei a vida inteira a esconder-me Com medo do que estava para além... No espelho sempre um reflexo a dizer-me: " - Nunca te amará ninguém!" Quando por fim me revelei... Assustado; o mundo partiu... Chorei... sozinho eu chorei... Abraçou-me o vazio...

28/09/2012

(Tu rimas com Alquimia)

Acho que finalmente encontrei aquela menina, moça, mulher que faz o meu mundo girar ao contrário... Porque o estar sem ela é como se não conseguisse levantar os olhos e ver tudo que me rodeia. Quando sei que ela não está ou não vem (ou mesmo quando sei que ela não vai para onde eu estive), é como se o dia já fosse triste e não valesse a pena ter acordado para ver o sol levantar-se, sinto como se houvesse um vazio por dentro de mim que dói cheio de solidão. Mas quando a vejo, a terra inteira começa a tremer-me por dentro, quando estou perto dela faz sentido ser eu, faz sentido livrar-me desta capa de Blackbird e meter a capa de mim mesmo e ser em pleno; e mostrar-lhe o que fui o que sou e o desejo de crer ser com ela; porque quando estou com ela sei voar sem as asas que os humanos também não tem. Será amor ou o que é isto? Ela não é como eu imaginei que ela seria, nem apareceu de repente ao cruzar de uma esquina. Não tem cabelos louros, nem pele branca nem olhos verdes ou azuis, nem sei se tem um vestido verde ou laranja ou vermelho e amarelo como em todas as minhas fantasias. Ela é tudo aquilo que eu nunca quis mas também o contrário e ao mesmo tempo tudo o que quero agora para mim. É espontânea e doce ao mesmo tempo, como eu sempre quis. Pena ter de esconder mas perdê-la agora seria como morrer um pouco, prefiro tê-la assim perto e distante ao mesmo tempo. Adoro quando ela conta histórias e eu ouço atento porque não preciso de falar, porque falar de mim, do que vi e do que sei, não me completa mais do que o dizer para e por dentro, mas saber do seu dia, das suas histórias, do que gosta ou do que não gosta faz-me sorrir... Quero mostrar-lhe o meu mundo aos poucos, onde fui criado e as aventuras que vivi, apresenta-la aos amigos e à família sem vergonhas nenhumas.... Acho que isso não será uma Alquimia nem uma impossibilidade, espero estar mais perto do que penso de viver como vivem os outros, a olhar para quem me completa pintando-a com o meu maior sorriso; o da Felicidade. Essa sim; Felicidade a Alquimia dos humanos, A poesia dos poetas. O teu nome rima com Alquimia e com poesia. Agora vais partir, já não te posso mostrar quem sou; talvez tenha perdido a minha chance de vez. O teu nome é sempre Maria e independentemente de tudo és a alquimia já não posso ter...

25/01/2011

Prostituta.




São cinco da manhã. Mas tu ainda não chegaste a casa...
Estou deitado no sofá, adormeci a ver um filme qualquer enquanto esperava por ti. São coisas dessa tua vida, são coisas dessa tua profissão? Que demora é essa que já me dói no coração? Olho o relógio mais uma vez. Começo a ficar preocupado...há tempos que já devias ter chegado. O que será feito de ti?
Levanto-me lentamente, sacudo as pipocas da camisola, apanho o cobertor vermelho que também esperou por ti, coço a cabeça e vou à casa de banho, esse caminho parece tão mais longe do que o costume; tudo fica tão longe de mim quando tu não estás. Será porque és tu o meu mundo?
Acabei o tinha a fazer; o relógio bate cinco e vinte, e tu sem aparecer. Começo a pensar que algo te aconteceu, é a primeira vez que te atrasas dessa maneira para mim. Olho para o tecto e permaneço assim... sem ti tudo parece como o tecto, tudo tão branco e vazio, sem princípio e sem fim...
Ouço a chave a rodar na fechadura; e sei que vens aí. A terra começa a tremer, ou sou só eu por dentro na excitação de te ver. Abres a porta apoiada na parede. Vens estafada, descalça e saltos na mão, dás passos cuidados, oscilando de um lado para o outro, parece que vais cair, mas não cais... Olho atentamente para ti, vens descomposta; mais do que é habitual. A maquilhagem está suja, o batom esborratado; as roupas quase não se seguram e tens o sutiã rasgado. O teu casaco está ensopado de lama e chuva, tens o cabelo molhado, todo emaranhado em laca barata; as tuas meias de renda estão esfarrapadas e tens os pés corados e feridos.
Amparo-te a queda, sento-te no sofá, vou buscar-te um whisky com gelo que bebes num só trago; cospes as pedras de gelo e colocas sobre o peito, resfrias o mamilo e gemes de dor:
– Hoje apanhei um daqueles porcos que gosta de os chupar! Estúpidos, idiotas cabrões... – E sofres mais um pouco essa tua dor.
Olhas para mim, com um olhar furioso; eu sorriu-te e logo mudas a expressão...
Abraças-me e olhas novamente bem para mim; desta vez com esse olhar meigo que sempre me cativou desde a primeira vez. Mordes os lábios... Primeiro os teus, e logo depois os meus, num beijo esperado há tempo demais... Sei que a noite foi difícil, como sempre o é; mas tu sabes que eu estou sempre aqui.
É como se me lesses os pensamentos, e logo dizes:
- Estava ansiosa para voltar para ti! O último cliente parece sempre mais difícil, o tempo fica mais demasiado lento e nunca quer passar...
Pões a mão na saia, deixas cair as pedras de gelo quase derretidas e sopras de alivio... Tiro-te devagar o sutiã rasgado, e deito-o para o meio do chão. Admiras-me aliviada pelo que fiz; olhas para dentro dos meus olhos e sorris. Desde sempre foste a única mulher que alguma vez conseguiu olhar assim para mim, desde sempre que conseguiste olhar-me bem no fundo de mim e descobrir nesse emaranhado de sombras, alquimias e mistérios; o ser que verdadeiramente compõe...
Dispo-te carinhosamente a blusa manchada de suor deixando-te a pele nua; a temperatura sobe quase louca e despes-me a camisola num impulso natural. Cravas-me as unhas nas costas, envolves as tuas pernas na minha cintura e agarras-me os cabelos, beijando-me num encaixe quase perfeito e ancestral. Sinto o teu peito roçar no meu peito, abraças-me forte e sinto bem de perto a bater o coração. Agora tudo faz sentido... A espera, a preocupação, eu, tu, o mundo. Perto de ti tudo faz sentido
Afasta-te um pouco e despes as meias num gesto demasiado sensual, levantas-te do sofá, deixas cair a saia e chamas por mim com um só dedo. Eu levanto-me e vou atrás de ti, tentas fugir como num jogo de inocente de criança, mas eu agarro-te pela mão, puxo-te para mim e descubro o teu corpo com as minhas mãos. Percorro as tuas curvas e fico perdido... Os teus lábios logo me trazem outra vez, para esse mundo que descubro seres para mim...
Vamos lentamente enrolados como numa dança em direcção ao quarto ainda escuro, iluminado apenas pelo fraco raiar do sol. Agarro-te as coxas das pernas e levanto o teu corpo, ando mais um pouco e sento-te sobre a mesa de madeira perto da porta, as molduras caem, os perfumes tropeçam e de repente empurras-me para a cama, caio inebriado a olhar para ti e voltas a sorrir-me, mordes novamente o lábio inferior, olhas para o lado e colocas a tua mão sobre um dos meus frascos de perfume... Desenroscas a tampa devagar enquanto me olhas com esse olhar malandro que aprendeste a fazer nesse teu ofício, derramas esse perfume pelo pescoço. Acompanho com deleite esse trilho que as gotas tomam para te percorrer... Vejo a tua pele arrebitar com o frio das gotas ou apenas de excitação... As gotas vão descendo até que começam a humedecer essa tua tanga de renda vermelha, levantas-te da mesa e começas numa lenta dança quente a tirá-la suavemente.

(Este texto encontra-se em construção, por conseguinte, a parte acima apresentada porderá sofrer alterações. Se quiser comente ou sugira alterações. obrigado pela disponibilidade.)

01/08/2010

Heterónimos


Eu sou tu… tu és nós… Tu és nada mas nós somos tudo. Juntos, somos simplesmente o que quisermos ser…sem nunca nos comprometermos a ser coisa alguma!
Somos a realidade tua, nossa, sem dor e sem mágoa! …

— O meu nome é Álvaro Campos, o operário.
Este é Ricardo Reis, o frio monarca.

— E eu sou o mestre pastor; Alberto Caeiro!

Unidos somos Fernando António Nogueira Pessoa…
Vários mundos…
Universos inacabáveis…
Uma só loucura!
Eu, tu, ele, nós!
Todos…
Tantos, e afinal apenas um só.
Um só louco no nevoeiro…
Um "Super-Camões".

15/05/2010

Era uma vez um monstro que amou uma boneca de trapos...

Era uma vez um monstro disfarçado. Fingia, o pobre! Que era príncipe encantado… Correu, correu pelo pátio enfeitiçado O feio monstro que estava amaldiçoado. Correu o monstro que era feito de giz Procurando a princesa iluminada. Procurou pensando em ser feliz Ao encontrar a princesa ainda nem desenhada… Passou ele por mundos em segredo Sempre correndo e já desesperando; Até que finalmente subiu a um rochedo E encontrou a esperança que estava faltando. Ficou então o monstro logo muito contente Ao encontrar o grande castelo. “Lá haverá certamente princesa e gente, Para amar este príncipe que é tão belo!” Aos portões do castelo ele parou E bem alto, gritando exclamou: “− Venham ver este príncipe que agora aqui chegou, Tão belo! Mas que nunca ninguém amou...” Mas no castelo o silêncio reinou; Nada, nem ninguém respondia… Afinal naquele castelo nunca alguém morou; Mas o pobre monstro que nem sabia! Então, destemido, lá foi entrando O grande príncipe tão corajoso. Foi a cada canto espreitando, espreitando; Sem saber daquele segredo misterioso Por fim o triste príncipe lá concluiu: Que não adiantava ter vindo de tão longe além Pois naquele castelo há muito reinava o vazio E nunca morou lá ninguém… Logo o alento do monstro se perdeu Ao perceber que iria ficar sozinho Então a chorar o infeliz monstro correu Até que tropeçou em algo no seu caminho Era uma boneca, coitada muito feia Deixada assim abandonada pelo chão; Ao monstro deixou-lhe uma mão cheia E aquecido o frio coração… A pobre boneca que era de trapo Tinha a boca cozida sempre a sorrir; E o monstro que estava feito farrapo Começou logo a rir! A feia boneca fora então a primeira Que ao triste monstro sorriu. Talvez a única realmente verdadeira Que alguma vez aquele príncipe viu! Sendo princesa ou não! Ao certo, é que o monstro ficou feliz. Pois a boneca que tinha na mão Amou o príncipe que era de giz… (Assim foi a história de amor; Entre o príncipe que era monstro tal E a linda boneca de trapos sem cor… Que se amaram pelo que eram afinal!)

03/03/2010

A lágrima que eu já não sei chorar...



Se eu pudesse deixar um segundo
Fazer uma pausa e esconder-me…
Atrás desse meu fato
De corvo sem existência!

Ensina a amar que eu não sei mais
Ensina-me a ser eu
Que eu já não me lembro como era…
Ensina-me a viver;
Que eu perdi o rumo
E já não tenho máscaras onde me esconder…
Ensina-me a gritar
Que o mundo já não me ouve…
E hoje eu sou surdo!
Ensina-me a deixar escorrer no rosto
A lágrima que eu também já não sei chorar…
E ensina-me a sorrir
O doce gosto de abrir uma boca sem dentes;
E brilhar…
Ensina-me a ser feliz
Que eu já não sei fingir a felicidade.
Ensina-me onde fica a realidade
Que eu perdi-a na mesma rua
Onde me perdi a mim mesmo.
Eu já não sei nada,
E nada sei sobre nada!

“Eu só sei que nada sei”
Porque nunca soube saber
Aquilo que devia ter sabido
Para saber aquilo que agora sei!
E ao fim de já nem sei o que escrevi;
Porque afinal eu não sei escrever;
E porque isto não passa de um mero ensinamento;
A precisar de um professor que nem sequer ensina!

I Love you! (um hino aos que amam; porque eu não sei!)

02/03/2010

Carta de Blackbird


A carta… (Blackbird a Tiago)


Idiota!
Achas mesmo que alguém te amará um dia?
Deixa-te de ilusões!
Ficarás sempre só!
A vida inteira,
Dia sobre dia;
Noite sobre noite…
A chuva cairá lentamente
Sobre o teu velho e triste coração.
Como pode um coração vazio
Pesar o mesmo que um mundo?

Será sempre assim,
De cabeça triste e olhar carregado
De mágoa por dentro da camisola
Virás do trabalho para casa;
Da solidão para a solidão;
Da tristeza para mim…
Mas basta!
Estou farto de ser eu a sofrer por ti!
Homem idiota!
(Se é, agora entre nós,
Que te podemos chamar Homem.
Eterna criança tu!
Preso no tempo;
À espera que se mude o futuro…)

Deixa-te de viver no passado
À espera que o futuro mude!
Para poderes ser feliz neste presente
Morreu… acabou!
Nada podes fazer agora…

Vives nesse teu mundo,
Essa essência onde me criaste…
E escreves,
Sobre tudo o que aconteceu na tua vida;
Ou o nada que ela é...

E amor?
Escreves sobre algo que não sabes o que é?
(Esta tenho de aplaudir de pé!
És um génio!
Aquele que sempre te consideraste ser…
Ou louco apenas!
Aquilo que outros viram crescer…)

Deixa-te ilusões,
De imaginar beijos que nunca aconteceram
“Alma com alma” leste num livro.
*(Risos)
Tolo! Idiota!
Isso não passa de imaginação!
De eterna e triste ilusão!
Como essa que tens,
De alguém te amar…
Ninguém te ama e jamais o farão!
Ninguém quer ser visto com um cromo como tu!
(“Cromo” – Lembraste de como te chamam
Aqueles que se riam das tuas piadas?
Eles só se riram de uma única piada tua…
A tua vida! A tua miserável existência!)

Desiste… o amor não existe
Eu sou pura ilusão,
Loucura no teu coração…

Aqui te deixo as minhas palavras…
Para que deixes de fingir.
E perceberes o miserável
Que verdadeiramente és!

Com amor:
Blackbird (o teu único amor…)

Amar-te-ei como desde sempre!

Amar-te-ei como desde sempre…
Amar-te-ei desde o primeiro instante em que te vir.
Desde o primeiro olhar,
A primeira palavra,
O primeiro adeus…

Amar-te-ei em cada encontro,
Como se de mais um desencontro se tratasse.
Irei amar-te em cada chegada,
Como se fosse a última das partidas…

Irei amar-te como sempre amei
(Como sempre o fiz a vida inteira!)
Irei amar cada gesto teu
Como se desde sempre o conhecesse.

Irei amar-te no primeiro olhar,
No primeiro segundo parado do tempo
(Desde sempre o tempo esteve parado,
Parado em mim à tu espera.
À espera que regressasses!)

Irei como sempre te amei
Como sempre imaginei amar-te
Irei sentir a tua cabeça no meu peito…
E no silêncio da escuridão;
Ouvirei o meu coração;
Irei ouvi-lo bater por ti;
Viver por ti!

Amar-te-ei no mundo real!
No meu e em outros mundos!
Serei Pedro e tu, Cinderela…
Serei o Monstro e tu, a Bela…
Serei Romeu e tu, Julieta…

Porque hoje:
“Tu és Pandora e eu, aquele que te procura!”…

01/03/2010

“The man who sold the world”



Conheci um homem que vendeu o mundo…
Já não o queria para nada.
“Já não tem valor!” – dizia.
Vendi-o a um idiota qualquer.
Um daqueles que ainda tem esperanças...”

Ele costumava dizer-me
Que o mundo já nada nos pode dar...

Era um homem solitário esse…
Um dos poucos verdadeiros que existiu.
Eu tive a sorte de ainda o conhecer!
Já o conheci velho.
Ele contava-me histórias;
Histórias de quando era criança.
“Sabes, um dia também eu fui criança!
Tinha as minhas ilusões e os meus sonhos;
As minhas aventuras nos mares da ilusão…
Mas dia por dia brincava cada vez mais sozinho,
Cada vez mais me percebiam menos.
Chegaram a chamar-me louco!”
(E fazia aquele ar esbugalhado de indignação…)

“Loucos eram eles! Dizia-lhes eu…
Loucos por acreditarem no amor,
Por acreditarem no mundo!
Por acharem que ele ainda tinha solução.
O mundo nunca teve solução!”
Dito isto, fazia sempre uma pausa
E pensava… pensava na sua infância.
Na velhice, na importância mínima do tempo…
“Sabes, eu como nunca acreditei no mundo;
Desisti e criei o meu próprio…
Revesti-me de máscaras
E comecei a viver nos dois mundos!
Era assim ao início…
Mas depois comecei a sofrer.
Refugiei-me mais no meu mundo
E deixei o real de parte.
Sabes… O mundo real só nos trás sofrimento!”

Dele guardo a sabedoria;
A sabedoria de alguém muito velho…
Mais velho que mundo, diria eu!
Morreu velho e só…
Morreu sem nunca ninguém saber.
Conheci-o já muito velho;
E no entanto tão jovem…
Deixou-se morrer nele próprio;
Simplesmente desistiu de viver….
Não suportava a ideia de viver num mundo cheio de nada.
Mas no entanto afogou-se no seu próprio mundo!
Por ter espaço a mais…
Eu mesmo lhe cavei a sepultura;
Enterrei-o com as minhas próprias mãos.
Deixei-lhe uma única flor na campa…

Comecei eu a viver por ele,
Mantive secretamente o seu corpo vivo.
E nunca o mundo se apercebeu…

O meu nome é Blackbird…
O velho chamava-se Tiago;
E já tinha vivido demasiado…

Amanhã meu amor…


Amanhã serei a sombra.
A infeliz e imóvel sombra;
Estampada na parede.

Serei a desgraça imponente no teu olhar.
A lágrima seca caída;
Caindo no teu rosto triste.

Amanhã serei a esquecida recordação.
A nua memória perdida voando
Nas ainda brancas folhas
Do velho caderno por estriar.

Amanhã amor.
Serei o teu sorriso triste,
A recordação inapagável na tua mente.
O sentimento triste do teu coração.

Amor em ti amanhã,
Serei o silêncio surdo!
A humidade negra entranhada
Na velha parede branca do quarto.

Amanhã serei um poema por escrever;
A tua velha história de amor;
De que ninguém mais falará.

Amanhã meu amor…
Já depois de me empalarem no caixão
E de a terra me cobrir por completo;
Serei mais uma estrela
Preenchendo um espaço vazio lá no céu.
E depois num silêncio gritado;
Lerás o triste poema que hoje te deixo…

Amanhã meu amor...
Sozinha junto ao monte de terra frio
Deixarás uma flor;
A pequena e já velha rosa branca
Que trouxeste envolvida no cabelo.
Dirás pela última vez: “Eu amo-te…”;
Então chorando e sorrindo partirás
E não mais voltarás a esse lugar
Onde deixaste apagado o teu amor.

“O teu amor apagado…”
Serei em ti amanhã.
Mas isso será amanhã!
Porque hoje amor…
Hoje nem eu sei quem sou…

Eterna procura...


Serás eterna procura…
Perpetua triste ilusão
Para o veneno cura;
Como amor é para a solidão!

Serás sempre assim…
Memória vaga desfocada.
O doce silêncio do fim;
“A eterna balada!”

Minha sempre em sonho imaginado!
Em mil rostos disfarçada;
Eu, teu príncipe amado.
Nesta nossa história inventada!

Serás sempre a amada minha.
Poeta de mil ilusões,
O rosto dos sonhos que eu tinha;
Na alegre infância de assombrações…

Procurar por ti meu amor
A minha demanda infinita sempre será
Correr, correr sem te encontrar;
Por mil mundos que não o meu…

Agoniante será então a dor…
Porque no espelho se verá
O ansiado amor do meu sonhar;
Sendo sempre apenas eu!

03/02/2010

Amanhã deixarei uma rosa sobre teu peito!



A manhã deixarei uma rosa sobre teu peito!


Amanhã passarei ao pé de ti,
E deixarei uma rosa branca no teu peito…

Amanhã triste, triste caminharei até ti!
Deixarei o tempo parado sobre o relógio velho
Guardarei as fotografias na gaveta,
Usarei o perfume que me deste
(A existência, a existência!)
Irei vestir a camisola preta
Que deixei guardada por ti.

Irei a sorrir para junto de ti
De olhar turvo em lágrimas…
Na minha mão ferida e em sangue trarei uma rosa,
A rosa será branca como a esperança…
A que foste no dia em que me deste os teus lábios
Em que apertas-te contra o teu peito a minha mão
Em que me olhaste nos olhos e me disseste:
“Infinito seja o tempo neste dia;
Infinito como o amor que hoje te dou…”

Irei de encontro ao teu corpo por ti!
Irei e caminharei ao teu lado…
Suspiro de aragens,
Vento do abanar das folhas
Sombra sem razão de existir…
E a rosa em minha mão
Baterá a cada passo nosso
Como um coração…

E então com meus olhos eu verei a eterna verdade
Teu corpo pálido sobre a pedra fria jazendo
Então ficarei também eu frio novamente,
Como o era antes de ti!
Então nu de mim novamente,
Deixarei sobre teu peito a rosa branca;
Ou a esperança que tinhas e eras em mim…

O vento (ou o teu sussurro)
Pouco a pouco,
Triste tristemente cada pétala levará…
E então o bater batendo cessará…
E o vento, lenta lentamente me trespassará…
Do céu a chuva caindo cairá
E então para o céu olharás…
E minha alma em paz descansará…

01/02/2010

Hoje morreu um poeta!

Hoje morreu um poeta!
Mais um…
O óbito sucedeu-se pelas cinco horas e vinte e cinco minutos da manhã da passada sexta-feira. O poeta entrou nas urgências do hospital Das Dores por volta da uma da manhã, segundo os testemunhos prestados pelas pessoas que se encontravam no local na altura em que este entrou.
Também segundo as mesmas testemunhas, conseguimos saber que o dito poeta não apresentava qualquer sintoma de uma possível doença grave; segundo os mesmos, este entrou pelo seu próprio pé nas urgências e dirigiu-se ao balcão da recepção. Tentámos obter o depoimento da recepcionista presente na altura, mas esta não quis fazer qualquer tipo de declaração.

“Perguntei-lhe se estava bem. Ao qual eu respondeu afirmando que tudo se encontrava bem. Falou numa voz calma e serena; a única coisa que notei estranha nele foi o olhar. Parecia meio distante e triste. Ainda insisti e disse-lhe que tinha um olhar muito triste, Ele respondeu que era poeta, e então eu percebi tudo e não insisti mais...” Este foi o depoimento de uma testemunha que chegou a falar com o poeta antes de este entrar nos cuidados intensivos do hospital, onde permaneceu cerca de uma hora e trinta minutos.
Segundo o que conseguimos apurar através de um comunicado pela parte da direcção do hospital o poeta morreu devido a razões desconhecidas. Pedimos esclarecimentos ao médico que acompanhou o caso e este afirmou o seguinte: “Não sabemos ao certo de que é que morreu o poeta. Depois de termos levado o escritor para a sala de cuidados intensivos, através de exames conseguimos descobrir que este sofria de solidão tipo C. Sendo a mais grave das solidões, levámos imediatamente o paciente para a sala de operações para ser submetido a cirurgia de quadras, mas já sem sucesso. Ainda o ligámos à máquina de escrita assistida e mantivemo-lo durante toda a operação a soro de sonhos; mas mesmo assim não obtivemos qualquer melhora. Resultando no triste óbito do trovador…”
Já depois de confirmado o óbito, na morgue ainda foi detectado na garganta do escritor, cancro do esquecimento num estado bastante já bastante avançado, que poderá ter sido, também, a causa da sua morte. Tendo acesso aos exames do poeta, generosamente fornecidos para investigação pelo hospital, conseguimos averiguar que o poeta detinha ainda no sangue ilusões; e que estas o impediam de presenciar e viver o real.

A Direcção do hospital numa comunicação oficial à impressa exclamou o seguinte: “Hoje morreu mais um poeta! Infelizmente foi neste nosso já de si triste país. Pedimos a todos os leitores de livros que demonstrem o seu luto neste dia em que morreu este poeta!”
E assim foi hoje de manhã, em Lisboa, cidade deste e outros poetas, as pessoas saíram para a rua de negro e tristes…

Apenas uma pessoa estava de luto, vestia branco e andava feliz…
O verdadeiro e único leitor do poeta!

Já fui em outros tempos Fernando Pessoa…




Já fui em outros tempos,
Outras vidas;
Outros rostos;
Outros espaços…
Já fui milhares de eu’s!

Já fui Fernado Pessoa;
Com uma só razão.
E Edgar Poe;
E escrevi o corvo com uma só solidão.
Acho que já fui Luís de Camões;
E escrevi Lusiadas com um só olho de visão...

Hoje não sou ninguém!
Só em então descobri finalmente;
Que nunca cheguei a ser eu próprio!...

Suicídio Cobarde

É tempo de ir.
De deixar os mundos…
Deixar para trás um legado;
Uma lágrima no rosto de alguém.
Um eterno pedido de desculpa…

A noite é presságio
O dia é inexistente luz…
O vago é mais um espaço feito de tudo…
Cheio de nada!
Assim me rodeei do mundo;
De métricas e espaços concretos;
De alquimias e sonhos sem rosto;
Eternas descobertas num simples gesto.
O sorriso que por vezes faltava!
A eterna pequena palavra
De grande significado:
Amor!

Procurar-te-ei em outros tempos
Em outros espaços
Em outras ciências
Em outras descobertas e outros gestos
Em outros eu’s nos mesmos sonhos de rosto apagado.
Ontem fui o eu de ontem;
Hoje sou o eu de hoje;
Amanhã serei o eu de depois;
E então serei o eu de sempre,
De todos os dias!
Eu.

Hoje és sonho
Amanhã de sonho não passarás!

Os anos passarão!
O pó virá cobrir o tempo,
Silenciosamente entre preces proferido,
(Quem as proferirá a quem? Para quem?)
Será segredo!
Apenas as paredes da surdez o ouvirão…
Ouvirão o silêncio!
O rosto apagado de alguém sem eu!

O suicídio assim se fez;
Proferido em silêncio a uma alquimia sem sonho.
O segredo de um rosto apagado
Sem espaço e sem tempo…
Morto!
Morto pela palavra de um simples gesto de amor
O pó dos mundos.
O pó do olhar da questão
(Qual é o sentido de viver?)
Assim se calou.
No silêncio
Na métrica sem rosto dessa Alquimia de significados.
(Alquimia do sonho perdido!
Dirão os estudiosos do cadáver.)

Procurar-te-ei sempre…
No eu de ontem
No de hoje,
No eu de sempre…
Mas tu só virás amanhã!
Apenas amanhã!
Descobrir o meu rosto apagado.

O meu rosto de um suicídio cobarde…

05/01/2010

Roubarei o tempo por ti...

Trarei em mim o tempo roubado,
Para que fiquemos eternamente presos neste momento...

03/01/2010

Pai

Ainda hoje quero o teu perdão!
Passaram apenas tres anos
Mas foi uma eternidade...
Jamais te esqueço!
Desculpa os erros que cometi
os que cometo
e os que cometerei
Sempre me orgulhei de ti
Mas nunca to disse verdadeiramente.
Amo-te


Porque só damos o valor às pessoas quando não as temos?!