02/04/2009

Um dia virás!





Sei que virás!
Um dia virás!
Quando virás?
Algures no tempo;
Nunca o saberei…
Mas um dia virás.
Sei que virás!
Porque desde o dia em que nasci,
Que tenho aguardado sentado
Diante da porta que conduz ao meu coração
Esperando sempre por ti.
Esperando que tragas a outra chave
Que abre as portas do meu coração
À quente e doce Felicidade!
Sei que virás!
Um dia virás!

Sei que virás!
Porque tu sabes que algures
No mundo tão desconhecido,
Alguém espera por ti!
(E são tantas, tantas, as pessoas
Que no mundo lá fora,
Esperam alguém para amar!
Numa interminável busca,
Por um sorriso nos lábios,
Ou pela palavra felicidade
Numa carta de amor,
Ou num beijo de despedida.)


Sei que virás!
Um dia virás!
Porque também tu
Estás algures no mundo,
Com a face gelada ao vento
Procurando alguém.
Talvez tu sem saber,
Procures por mim
Assim como eu procuro por ti!
Provavelmente o destino,
Senhor todo-poderoso
Dos caminhos humanos,
Ainda não nos queira cruzar os caminhos
Talvez o destino,
Mestre incontornável do tempo
Queira ensinar-nos
A amar primeiro de uma forma errada
Para quando juntos finalmente
Possamos amar-nos eternamente bem…

Sei que virás!
Um dia virás!
Espero que venhas um dia,
Porque senão foi em vão,
Toda esta vida
Diante de uma porta
Olhando um relógio parado
Numa parede vazia
Esperando alguém sem rosto
Sei que virás!
Um dia tu virás!
E eu serei feliz…

Eu sei que virás!
Sei,
Porque é essa a minha esperança;
A esperança;
De quem quer viver mais um dia!

Alzheimer…

“Quem sou?”
Não sei!
Só tu sabes quem sou…
Apenas tu sabes quem sou!
Porque se tu não o soubesses;
Ninguém mais o saberia.
Se tu não soubesses;
O mundo inteiro ter-me-ia por incógnita…

“Quem sou?”
Tu sabe-lo!
Tu sabes quem sou!
Sabes por está nas tuas lágrimas,
No teu esforço,
No teu suor,
Em toda a tua dor,
E em todas a outras coisas que te compõem
E que fazem de ti um ser…
E sobretudo;
Nesse teu enorme coração…

Tu sabes quem sou!
Porque se tu não soubesses;
O mundo inteiro não saberia!
Eu não saberia
E nem sequer existiria!

Perguntas-me:
“Quem és?!”
Tu sabes quem sou!...
Eu sei que tu sabes!
Porque se tu não soubesses;
Quem mais saberia?

01/04/2009

“Despedida de Julieta a Romeu”

Que este frio punhal
Cravado sobre meu peito
Eternamente me corrompa
Este estranho corpo que aqui deixo
E que me esventrei a entranhas.
Mas que jamais no tempo e no espaço
Este punhal com que desfaço meu coração
Me apodreça a alma eterna minha.
Porque em outras vidas na distância das eras
Que me lembre eu da tua face
Dos teus gestos e das tuas carícias.
Que o destino todo-poderoso
Nos separe vezes sem conta;
E que nós,
Num acaso desse mesmo destino
Unamos nossas mãos e nossos lábios.
E outrora perdidos nos encontremos
No fôlego de mil beijos de amor proibidos…

Novamente juntos voltaremos então;
À cama de lençóis brancos
Ainda quente de nossos desejos.
E cumpridos os dois seremos um
Pois na memória do mundo
Que sabendo sem saber
Nos proibiu e eternizou na palavra amor,
Seremos relembrados;
Culpados e julgados;
De um dia por acaso do destino
Termos inventado no amor;
A palavra Eternidade…

03/02/2009

O gelo do teu olhar…




Porquê; agora?!
Porquê todo esse frio
Tão triste, e tão impenetrável?
Porquê toda essa indiferença?
Talvez nunca tenhas reparado;
Talvez tenhas sido sempre indiferente;
Talvez nunca tenhas gostado de mim…
Mas porquê mostra-lo agora?
Agora, porquê?

Faço tantas tentativas
Para amar-te novamente;
Desta, daquela ou da outra maneira…
Mas não consigo mais!
Porque não me deixas olhar-te nos olhos,
E penetrar todo esse gelo?
Esse teu gelo de indiferença,
Onde congelaste o meu rosto.
Onde as palavras e os beijos
Que só para ti escrevi;
Não conseguem entrar…
E por fim, estilhaçar;
Toda essa cortina que nos separa…

Será que quando olhas para o lado,
Não reparas no canto frio e escuro
Onde estou escondido do mundo?
Porque não tentas tu,
Olhar-me nos olhos,
E desnudar-me de toda essa mágoa
Que me afasta e me gela
Nessa triste e fria distância
Tão próxima de ti?…

Porquê agora?
Porquê nesta altura,
Em que na minha face
Pelas primeira vez em sempre;
Se rompeu um doce e meigo sorriso?...
Porquê depois do dia 13 de Janeiro?
Depois desse dia,
Que será para sempre;
Apenas em mim, em ti, talvez?
Porquê agora esse gelo?
Porquê toda essa gelada indiferença?
Agora porquê?
Porquê; agora?!

“É Ódio ou Amar?”

Eu não acredito!
Eu não quero acreditar!
Que o meu mundo de infinito
Se voltou a pintar…
Quando se pintou,
O mundo de negro outra vez?
Numa triste instância
Quando e talvez;
Dei eu importância
A quem nunca me amou?

(Refrão)
Porquê agora?
Porquê agora?
Quando tudo se estava a recompor!
Porquê nesta maldita hora.
Decides ser o meu amor?...

Entraste no mundo que é meu
Apagaste a chama acesa
Deixas-te a incerteza
E perdi-me no meu eu…
Algures dentro de mim
Corrompendo-me assim
Serás tu!…
Serás tu!…
O meu triste fim?!

Há algo que não entendo
Algo estranho que não compreendo;
Uma espécie de sentimento
Que aqui me ficou no pensamento…
Não compreendo;
Não quero compreender!
Não entendo;
Eu não quero entender!
Este meu alento
Que não me deixa respirar.
O que é este sentimento?
É Ódio ou Amar?

Cada vez mais estranha e escura;
Esta dúvida que perdura,
Ou esta minha loucura?!
Mas porquê?!
Mas porquê?!
É Ódio ou Amar?
Só este meu olhar
É que não quer e não vê!

(Refrão)

Ainda estás presente
Nesta minha mente
Que não te quer esquecer...
Eu não compreendo!
Não quero compreender!
A loucura deste sentimento
Que não me deixa adormecer!
Quando se voltou a pintar
O mundo de negro outra vez?
Em que triste instância
Dei eu importância
A que nunca me vai amar?
Porquê agora?
Nesta maldita hora,
Decides trazer a dor...
Apagas-te a chama acesa,
Deixas-te a incerteza....
É Ódio ou Amar?!...

(Refrão)

Procuro a escuridão
Para apagar esta dor
Que aqui ficou no coração;
É Ódio ou Amor?!
Quanto eu te odeio
Por saber que te amo!
Mas mais me odeio a mim
Por saber que serás tu!
Serás tu!
Serás tu!
O meu triste fim!
O meu triste fim!...
É Ódio ou Amar?!
É Ódio ou Amar?!...

30/01/2009

O Quarto!...





Assim será sempre!...
Sempre o mesmo quarto frio e solitário!
A mesma humidade escura
Incrustada na mesma gélida parede branca
Sempre e sempre os sussurros;
Vozes feitas de silêncio
Que nada dizem
Contando a história de ninguém…
O mesmo choro carregado de solidão
Preso nas paredes já com musgo…
Também existe a estante de madeira podre;
Livros amarelos e já gastos pelo tempo que morreu,
Simetricamente arrumados da mesma maneira de sempre!
(Nunca ninguém se deu ao trabalho de os ler
E de os descobrir em muitas versões…)
A estante que acumula o pó dos anos nus.
Ao lado a mesma televisão velha
Com a mesma imagem feita de serenidade negra.
(A televisão faz-se branca do ódio dos anos!)
Majestosamente erguido na parede
O monstruoso guarda-fatos
Imperialmente alçado em jeito de gigante Adamastor
É o rei de tudo onde afinal não há nada!

Ao fundo uma porta fechada
(Como sempre esteve ao correr dos anos!)
Com a sua típica rispidez de madeira crua...
E que em segredos esconde este mundo!...

De rodas presas no soalho
A enfadonha cadeira com cheiro a mofo.
(Dizem que em cima dela repousa o tempo!)
Na secretária ao pé da cadeira
O mesmo caderno de capa preta entreaberto
Nele leem-se algumas palavras
Que o tempo com pena não quis consumir...
(Parece que lá vivem memórias de outros tempos!)
As páginas vão dançando enquanto o vento as lê!...
Numa ordem aleatória de uma maneira qualquer,
Completamente desordenada e sem sentido!
A janela aberta vai deixando entrar o ar que sufoca!
No alto da secretária, lá bem em cima;
Há uma estranha moldura;
Com as fotografias de umas pessoas quais queres…
(E talvez algumas lembranças!)
Lá bem em baixo,
Ao pé de caixote do lixo com cinzas em decomposição;
O cotão deambula pelo chão gasto.
(Que já tão bem conhece!)
Depois no meio da parede,
Opostamente ao guarda-fatos
Há uma grande cama de casal
Mas pequena na humildade que transborda
A cama está encolhida a um canto
(Como se tivesse vergonha do que veste!)
Aqueles lençóis cheios de sujidade arranhada
Parecendo cochichar com a mesma mancha de sangue seco
Que vai apodrecendo com o tempo…
(Parece que alguém morreu aqui um dia!)

Assim se sentem os sonhos
Entre uma porta trancada
E o castigar do vento numa janela aberta…
(Alguém os deixou um dia perdidos!)
Neste quarto vazio e sem nada!
O quarto de ninguém!...
Sempre foi assim...
Este triste quarto onde um dia vivi;
E onde um dia me morri...
Assim será sempre!...

29/01/2009

O circo de ninguém...





Já ninguém vai ao circo
Ver deixar numa corda a vida.
E assim em mim comtemplando fico
Errante lamentando tradição perdida...

Já ninguém vai, já ninguém acredita;
Na jaula feras e um domanor
Ou os saltos do trapezista.
Ele domina, ele salta; é o Empreendedor!

Não se quer saber do equilibrista.
Todos equilibram agora
Todos são o artista
Equilibrando a já tão contada hora...

O mágico oculta segredos na cartola.
A sociedade, apenas palhaços à estalada
Todos de pescoço na ponti-mola.
Todos falam, ninguém sabe nada!

Entre palmas e gritos de um mundo
(Porque nunca ninguém lá entrou)
Encerra-se o circo mudoTodos apontam ninguém se acusa do mundo que desabou

14/01/2009

Homenagem a Fernando Pessoa: "Quem sou?"


Quem sou…

Quem sou?

Não sei!

Talvez seja este

Ou aquele,

Que não sabe;

Que este é aquele

Que quer ser ele próprio…

12/01/2009

Palavras no ar...


Desenhei no ar o teu nome
Pintei-o de azul céu…
Estendi os braços e aconcheguei-o
Soprei bem do fundo do pulmões…
Fuuuuuuuuu!!!!
E lá foi voando
O teu nome pelos céus…
E junto do teu nome,
Bem lá no canto
Deixei uma pequena mensagem…
(Sem ti um mundo fica incompleto,
Os dias são cinzentos e falta a luz…
Contigo o mundo é lugar ideal!
Amo-te…)

06/01/2009

Driven Under II

Do nascimento até morrer;
Sempre mentir é condição
Querendo sem querer,
Nascer e morrer é ilusão
A mentira empurrar-me-á para baixo de mim
Soterrado sempre assim;
Numa folha de papel será mentido o meu fim...